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Onde estão os alemães?

Luiz Zanin Oricchio

04 de junho de 2006 | 20h40

Berlim tem algo a ver com São Paulo. Para cá, a capital do mais rico país da Europa, pessoas de todos lugares se mudam para tentar a vida, assim como na capital do mais rico Estado do Brasil vão brasileiros de todos os cantos e ainda muitos estrangeiros da América Latina.
O funcionário da casa de câmbio que me atendeu, ainda no aeroporto de Tegel, me contou ser francês, assim como um senhor que me parou na rua para falar do Brasil. Era iraniano o taxista que me levou ao hotel – filho de um libanês e de uma austríaca, disse ele. E todos moravam em Berlim, acrescentou. Era escocesa a funcionária que me serviu o café da manhã no dia seguinte, no mesmo local onde um australiano me perguntou “o que os brasileiros falam mesmo, espanhol ou português?”. No restaurante, o garçom tinha um tipo árabe, parecido com o do rapaz que atendia no caixa, com pinta de chefe do estabelecimento.
Gente de todos os lugares do mundo, inclusive um grupo do qual ouvi apenas um trecho da conversa … “Mãe, a gente se deu bem, ainda podemos andar de graça o dia inteiro”, disse um sujeito com cerca de 20 anos logo depois de deixar a estação de trem. Por falar português e pela felicidade que o rapaz sentiu em não ter mais de pôr a mão no bolso na cara capital alemã, deduzi: só pode ser brasileiro.

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