Para as Seleções, tudo. Mas e os clubes?
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Para as Seleções, tudo. Mas e os clubes?

Radar Cultural

06 de dezembro de 2006 | 11h03

Os bicampeões festejam na Avenida Paulista

Foi emocionante acompanhar de perto a carreata dos bicampeões mundiais de vôlei pelo Centro de São Paulo. No país do futebol, o reconhecimento dos brasileiros pelas ruas emocionou os jogadores, que ficaram surpresos com a repercussão do título. O desfile durou mais de três horas, regado a cerveja e champanhe distribuídos pelos próprios torcedores que se arriscavam a se aproximar do caminhão do Corpo de Bombeiros.

Em um ‘grupo de operários’ em que todos têm a mesma importância, classificado pelo atacante Dante como o “mais humilde entre todas as Seleções”, o cansaço é sempre deixado para trás. Quase todos os atletas jogam na Europa, e, ainda assim, preferiram voltar ao Brasil para agradecer à torcida.

A parada será rápida. Na quinta-feira, Escadinha, Anderson, Giba e Rodrigão retornam à Itália; Marcelinho e Dante rumam à Grécia. Os outros – André Nascimento, Gustavo, Murilo, André Heller e Ricardinho – foram direto para os clubes. Tempo para descanso? Praticamente não existirá, já que alguns atletas já atuam por seus clubes no domingo.

Mas, para quem fica e atua no Brasil, a realidade é outra. Os “atletas comuns” pedem todos os anos, principalmente, parcerias mais sólidas e a transmissão da competição por uma tevê aberta. O Campeonato Nacional, a Superliga, está para começar. Serão oito equipes femininas e 15 masculinas. Os próprios atletas da Seleção admitem que o nível técnico do campeonato vem caindo e esperam que os resultados brilhantes tragam patrocinadores fortes para as próximas temporadas. Sem as estrelas consagradas, restam na Superliga as promessas e atletas conhecidos só para aqueles que assistem à tevê a cabo.

“A gente sabe que o nível técnico caiu porque os principais jogadores não estão aqui. O lado bom é que aparecem novos jogadores, mas é ruim para o vôlei no geral. Os ginásios ficam sempre vazios, não temos patrocinadores. Acompanho muito as notícias daqui e é uma pena. Bem que todos os campeões mundiais poderiam jogar aqui no Brasil para termos o melhor campeonato do mundo… Mas infelizmente a melhor opção é a Itália”, desabafou o líbero Escadinha, que atua no Piacenza ao lado do oposto Anderson.

Outra que já expressou a mesma opinião de Bernardinho é Elisângela, que hoje está no Finasa/Osasco. A atacante foi medalha de bronze nos Jogos de Sydney/2000 e hoje não integra mais a Seleção Brasileira.

A longo prazo, o fraco nível técnico do vôlei interno poderá, sim, afetar a reposição de peças para as próximas gerações. Apesar do excelente trabalho desde as categorias de base nas Seleções, não se pode deixar de lado o trabalho de profissionais que não atuem entre os 24 (12 no masculino e 12 no feminino) representantes do Brasil nas equipes adultas. Não se pode dar as costas para clubes tradicionais que tanto colaboraram cedendo talentos para a construção da história vitoriosa que vive o vôlei atual.

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