Punido por excesso de habilidade
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Punido por excesso de habilidade

Luiz Zanin Oricchio

11 de junho de 2006 | 16h36

Começou assim: Fábio Branco era o craque da pequena Joaçaba, como atacante em uma equipe amadora da cidade do interior de Santa Catarina. Fez testes no Grêmio, onde ficou algum tempo, mas se cansou de nunca ser aproveitado no time profissional. Sua mãe já estava na Alemanha, conheceu um empresário de futebol e convenceu o filho, então com 18 anos, a seguir carreira em território alemão.
Quatro anos depois ele é atendente em um coffee shop de Leipzig, uma das sedes da Copa do Mundo. Nem quer mais saber de jogar. “Estourei meu joelho”, explicou. “E também, aqui é muito complicado, sabe”, dessa vez não explicou nada. Mais tarde voltou no assunto: “Para você ter uma idéia, uma vez dei duas canetas em um alemão que me marcava e fui punido: tive de correr duas horas em volta de campo.” A habilidade por conseguir colocar a bola entre as pernas do adversário foi desprezada pelo treinador, que ainda o xingou. “Esses brasileiros de merda, só querem fazer molecagem.”
Teve dificuldade em se adaptar às exigências dos técnicos alemães e perdeu a paciência para esperar que lhe dessem espaço. “Fiquei seis meses no VfB Leipzig, um time que faliu logo depois que eu fui embora, e aí desisti. Se você não tem alguém te ajudando, não consegue ser nada como jogador.” Há alguns anos, pagou 250 euros para um empresário brasileiro o colocar em uma boa equipe. “Ele pegou meu dinheiro e nunca fez nada.”
“Mas estou feliz, não tenho do que reclamar. Ganho bem aqui na Alemanha e vivo sem nenhum problema”, disse. Nos sete jogos que disputou pelo VfB Leipzig, entrou somente no fim das partida, afinal era reserva: marcou oito gols.

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