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Recordes pré-estabelecidos

Eliana Silva de Souza

21 de dezembro de 2006 | 11h43

O matemático holandês John Einmahl, da Universidade de Tilburg, calculou que o recorde absoluto dos 100 metros rasos jamais será inferior a 9s29. A marca é quase meio segundo inferior ao atual recorde, 9s77, dividido entre o jamaicano Asafa Powell e o norte-americano Justin Gatlin, hoje suspenso por uso de doping.

Einmahl baseou-se na teoria dos valores extremos, que calcula eventos associados a probabilidades muito pequenas ou fatos raros – teoria utilizada por seguradoras para o cálculo de apólices -, e fez projeções estatísticas depois de analisar as melhores marcas de 1.546 atletas masculinos e 1.024 atletas femininas de elite de cada uma das 14 provas estudadas.

O estudo aponta que esses recordes não dependem de nenhuma evolução tecnológica, apenas de condições físicas e técnicas dos atletas, e citou uma marca especialmente notável, a da maratona, hoje nas mãos do queniano Paul Tergat, com 2h04min55s. Para ele, esse índice só poderá ser reduzido em no máximo 49 segundos. Einmahl prevê, no entanto, grande evolução na marca da maratona feminina, hoje da britânica Paula Radcliffe, 2h15min25s, que pode ser reduzida em até 8 minutos e 50 segundos.

Os cálculos de Einmahl vão na contramão de outros estudiosos, que apontam uma margem ínfima para a redução de recordes nas provas de velocidade. Ele acredita, por exemplo, que os 19s32, recorde dos 200 metros rasos que pertence desde 1996 ao norte-americano Michael Johnson, podem cair até um segundo. É esperar para ver.

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