Scooby-Doo e Scooby-Loo
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Scooby-Doo e Scooby-Loo

miltonpazzi

17 de abril de 2008 | 01h41

scooby_dooScooby-Doo é um ícone para milhões de pessoas que adoram desenhos animados. Apesar de medroso, sempre encontra um jeito para solucionar os mistérios. Já seu sobrinho, Scooby-Loo, é pequeno e jovem, porém destemido e encara os “monstros” como se não tivesse amanhã.

Eu tomei a iniciativa de citar os dois para fazer uma pequena comparação sobre os dois principais jogos da quarta-feira: Santos x Deportivo Cúcuta, pela Libertadores, e Goiás x Corinthians, pela Copa do Brasil.

O Corinthians deu uma de Scooby-Doo. Apesar do seu tamanho e a atenção voltada para si, a equipe do técnico Mano Menezes jogou com extrema apatia e, às vezes, medo de arriscar. O meio-campo, que não é lá essas coisas, simplesmente não existiu durante o primeiro tempo, sobrecarregando, mais uma vez, o lateral André Santos, que tem que defender, armar e, muitas vezes, atacar para que algo aconteça na equipe. E, como o famoso Scooby-Doo, o time acovardou-se e foi presa fácil para o seu monstro. Neste caso, o Goiás.

Mas, como Scooby-Doo sempre tem uma carta na manga para se dar bem ao final de cada episódio, o Corinthians tem o fator torcida como seu trunfo para vencer o Goiás na partida de volta, que acontece no dia 30, em São Paulo. Os corintianos, tenho certeza, lotarão o Morumbi e empurrarão o time do começo ao fim. Eu, se fosse alto membro da diretoria, jogaria com a camisa roxa como ato de coragem. A camisa já é um sucesso entre os torcedores e um recuo em relação ao seu uso, pra mim, é uma atitude totalmente contrária à história corintiana de raça e superação em momentos difíceis.

O Santos personificou Scooby-Loo como poucos. Desengonçado, condenado eternamente a ser um coadjuvante, o time do técnico Emerson Leão chutou tudo isto para o alto ao ressurgir das cinzas com uma vitória épica diante do Deportivo Cúcuta para garantir sua classificação às oitavas-de-final da Copa Libertadores.

Assim como Scooby-Loo, o Santos, quando acuado e amedrontado, encontrou apenas uma opção: atacar, mesmo que seu oponente pareça maior e intransponível. A equipe, aos trancos e barrancos, criou chances, chegou ao empate, quase levou o segundo gol, e, quando tudo parecia perdido, um evento de proporções épicas acontece e sua iniciativa, outrora desesperadora e até cômica, torna-se salvadora, colocando um final feliz ao episódio.

A foto que capta o exato momento de raiva do técnico Emerson Leão deveria ser ampliada e colocada nos corredores da Vila Belmiro como forma de inspirar os jogadores para o restante da competição. Com um espírito aguerrido como possui Scooby-Loo, o Santos deixa claro que, mesmo se o time não for aquele esperado pelo torcedor, os jogadores darão sangue em campo, como Molina fez, literalmente. Pensando bem, até que o jogador colombiano lembra o Scooby-Loo…

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