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Seleção: o novo desenho

Luiz Zanin Oricchio

24 de março de 2007 | 20h33

Para quem já se animou com os 4 a 0 sobre o Chile, convém lembrar aquela partida na Copa contra o Japão. Também naquela ocasião todos entenderam que Parreira havia encontrado o time certo e em seguida veio a recueta do técnico e tudo o que já sabemos. Dunga não é Parreira e talvez não seja tão teimoso e/ou obtuso. Há de ter sensibilidade para analisar uma partida bem sucedida como esta contra o Chile. Agora, será que tem topete para escalar Robinho, Kaká e Ronaldinho juntos, contra um adversário mais poderoso? Tomara. Mesmo porque se viu futebol de qualidade em campo. Robinho, como sempre muito criativo, Ronaldinho mais discreto (mas fez dois gols) e Kaká mostrando porque se encontra em plano superior aos demais, neste momento. Para não falar daquele tapa de classe que deu na bola marcando o segundo gol do Brasil.

Agora, o Brasil ganhou porque de fato o desnível técnico em relação ao adversário era muito grande. Não se viu grande entrosamento – e nem isso seria possível pela falta de treinos. Mas há um desenho tático que começa a se formar e pode evoluir e se estabilizar, caso Dunga mostre personalidade e persevere no esquema empregado no jogo de hoje. Talvez os laterais pudessem ser melhores: Daniel Alves e Gilberto não parecem ainda herdeiros de Cafu e Roberto Carlos. Elano jogou em posição na qual não se dá tão bem, e para a qual foi deslocado para não sair do time. Nesse caso, talvez fosse melhor optar por um volante de ofício mesmo. Fred foi bem, mas ainda não tem pinta de dono da posição. Por que não testar o Vagner Love? E, sobre eles, sempre haverá a sombra de Ronaldo, se é que deseja voltar e está disposto a se sacrificar para isso, dúvidas válidas em se tratando de personagem tão problemático. Em forma, sua presença é mais decisiva que a dos dois candidatos a centroavante titular. Mas eu gostaria muito de ver o Love trocando figurinhas com Robinho, Kaká e Ronaldinho. Pode dar a maior liga.

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