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Sem brilho, Holanda garante vaga

Luiz Zanin Oricchio

19 de junho de 2010 | 10h26

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O primeiro tempo foi de muita posse de bola da Holanda, que não consegue criar nenhuma grande oportunidade contra a forte defesa japonesa. Sempre é bom ver o futebol holandês, de bom toque de bola, refinado, etc. Mas falta aquele sentido agudo de ataque de outros tempos, aquela “verticalidade”, como se diz no jargão do futebol. Muita bola trocada de lado e pouca efetividade. Também é verdade que o Japão é muito disciplinado e não deixa espaços. Só alguma jogada individual, inventiva, fora do programa, poderia desorganizar um sistema defensivo muito bem postado. Mas ela não surge.

E então acontece aquilo que é característico nesse tipo de jogo. Numa falha do goleiro (e com a possível contribuição da Jabulani), Snejder marca e, com a Holanda em vantagem, o jogo melhora, e muito. Sim, porque aí o Japão tem de se lançar ao ataque e tentar empatar. Mostra que sabe também atacar. E por que não o faz desde o início? Porque o empate era bom.

Há uma racionalidade no futebol. O Japão se defende porque sabe que, se jogar de igual para igual, não aguentaria a pressão da Holanda. Quando toma um gol, vê-se obrigado a ir em busca do empate e abre espaços na defesa. Quase toma dois gols, mas também quase empata, numa pontada isolada. Era a bola do jogo, mas não entrou. O quase é uma palavra fundamental no futebol. E na vida.

A Holanda foi recompensada pelo fato de ter, pelo menos, procurado o jogo durante a maior parte do tempo. O Japão limitou-se a se defender, até tomar o gol. Às vezes essa estratégia dá certo, mas é muito raro. Para o bem do futebol.

Jogo nota 4, no máximo. O belo e ofensivo futebol holandês ainda não apareceu. Pode surgir na segunda fase, para a qual ela já está praticamente assegurada.

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