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Sofrimento mexicano

Baldini Wilson

21 de junho de 2006 | 21h03

O primeiro tempo de Portugal e México foi emocionante. Muito por causa das torcidas. Assisti ao jogo no meio de jornalistas mexicanos. E o sofrimento deles foi incrível. Logo aos seis minutos, o primeiro gol de Portugal. O jornalista Israel Rodrigues deu um murro na mesa que quase derruba monitor, gravador…As unhas da mãos dele acabaram antes do segundo gol português. Estava frio em Gelsenkirchen, mas ele suava como se estivesse vendo um Ba-Vi na Fonte Nova, em Salvador. No momento do gol de Fonseca, uma explosão de alegria, que me valeu um murro no ombro direito. Vem o segundo tempo e ele quase vai à loucura com os erros de Fonseca. “Este é um tronco.” Jogador que não tem mobilidade. Pênalti para o México. Ele começa a rezar. Bravo bate para fora. No meio da Ave Maria, Rodrigues solta um tremendo palavrão contra a mãe do jogador. Eu sai do meu lugar para escapar de mais um murro. Gol de Angola contra o Irã. “Mais um aqui de Portugal ou outro de Angola e estamos fora”, calculou rapidamente. Meu pedido de calma foi pior do que se eu o tivesse mandado para aquele lugar. Gol do Irã. Era o empate salvador. “O gol saiu quando o Boa Morte entrou. Bom sinal.” O juiz apita o fim do jogo. Rodrigues me cumprimenta e sai chorando. “Por que não nasci brasileiro?”, perguntou.

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