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Tentativa de assalto, carecas e prostitutas nas ruas: a Berlim que só se revela no final do dia

Luiz Zanin Oricchio

08 de junho de 2006 | 17h27

Em Berlim, escurece muito tarde nessa época do ano, por volta de 23 horas. Mas bem antes desse horário, integrantes de um grupo extremista e racista, os carecas, se instalam em frente à Igreja Memorial Kaiser Wilhelm, no centro da cidade. Como eu sei que eram eles? Um policial berlinense me contou. “Mas antes de eles fazerem algo de errado, não podemos impedi-los de ficar na praça pública”, disse.
Alguns metros dali, em um local teoricamente mais seguro, três rapazes tentaram me cercar. Dois deles se aproximaram, falaram ao mesmo tempo uma língua que não era a alemã. Fingi que não era comigo, virei as costas e me enfiei no meio de um grupo, despistando-os.
A noite continuou agradável apesar disso. Como bom paulistano, não iria me impressionar com tão pouco. Berlim é deslumbrante a qualquer hora do dia. As lojas das grifes mais conceituadas do mundo estão lá, no centro da capital. Do lado de dentro das vitrines, roupas a preços incogitáveis para o padrão médio brasileiro; fora delas, garotas, discretas, também se exibiam.
Percebi, ao fazer três vezes determinado trajeto, que duas garotas marcavam ponto. Loiras, muito bem vestidas e de olhos azuis, como quase todas as alemãs. Uma esquina depois, outra mulher adotava o mesmo procedimento até ser chamada pelo ocupante de um automóvel de luxo. No país, a prostituição é liberada pela Justiça e profissionais do sexo de vários locais da Europa anunciaram, antes do Mundial, que se mudariam temporariamente para as ruas da Alemanha.

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