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TRANQUILLO, TRANQUILLO, TRANQUILLO

Jotabê Medeiros

25 de junho de 2010 | 17h34

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“Tranquillo, tranquillo, tranquillo”, gritava o técnico Marcelo El Loco Bielsa na beira do gramado, enquanto o juiz marcava mais uma falta do Chile.
A situação pedia mesmo um calmante: o Chile perdia por 2 a 0 e tinha um expulso (injustamente, diga-se).
O primeiro gol, de David Villa, depois de uma falha clamorosa do goleiro chileno Claudio Bravo, que saiu do gol na lateral para dividir uma bola e em vez de botá-la para fora a colocou nos pés do atacante. Foi o gol mais mole da Copa (embora Villa tenha tido o grande mérito de fazer a bola voar mansinha em direção às redes em um tiro de longa distância).

No momento do segundo gol, de Iniesta, o juiz viu uma falta de Estrada no centroavante espanhol Torres, e expulsou o chileno.
Aos 3 minutos do segundo tempo, o Chile diminuiu – depois do chute de Millar, o número 20, a bola desviou em Piquè e enganou Casillas.
Os 10 minutos finais foram tão modorrentos quanto Brasil X Portugal, com os dois times tocando a bola para que o jogo terminasse rápido (parecia que ninguém botava fé que a Suíça podia fazer um gol em Honduras, como de fato não aconteceu: terminou 0 X 0).

Espanha X Portugal farão o confronto da Península Ibérica.
A Espanha, favorita no início, contou com uma boa dose de frieza e mesmo de sorte nessa partida decisiva diante do Chile, então deverá ser um jogo parelho com os portugueses.

O 2 X 1 projetou o Chile como segundo colocado em seu grupo, e agora o time vai enfrentar o Brasil.
É um Chile diferente daqueles que o Brasil enfrentou em outros momentos históricos – renovado, aguerrido, mordedor.
Isla tem 21 anos, Medel, tem 22 anos, Sánches tem 21 anos, Vidal tem 23 anos, Jara tem 24 anos. Os veteranos são Valdivia (26), Suaso (29) e os zagueiros Ponce (27) e Contreras (31).
O treinador é bom estrategista, conseguiu diminuir a diferença e estabilizou o time no segundo tempo.
O último triunfo do Chile numa Copa foi em 1962, na disputa do terceiro lugar.
Jogou depois disso 13 vezes, nas copas de 1966, 1974, 1982 e 1998, somando 6 empates e 7 derrotas.
Antes de encarar o gigante Brasil, algoz de sempre, é a hora de Marcelo Bielsa, justo o treinador hiperativo, chamar o time e dizer: “Tranquillo, tranquillo, tranquillo”.

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