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Um pepino chamado Gibraltar

Eliana Silva de Souza

08 de dezembro de 2006 | 13h31

A Uefa e a Fifa não sabem o que fazer com Gibraltar, um pequeno enclave britânico que fica no Mar Mediterrâneo, ao sul da Espanha, no estreito de mesmo nome que separa a Europa da África. Gibraltar tem uma seleção de futebol que disputa jogos há mais de 100 anos e quer se filiar e participar de competições. A Espanha, que tem interesse no território e vive às turras com os ingleses sobre o enclave, é contra – e tem lobby forte na Fifa, que, durante reunião de seu Comitê Executivo, nesta semana, já se posicionou contra a filiação de Gibraltar.

A Corte de Arbitragem do Esporte (CAS), instância jurídica máxima do esporte mundial, já determinou à Uefa a filiação, e foi essa decisão que a entidade ratificou provisoriamente nesta sexta-feira. A filiação definitiva só sai em janeiro, no Congresso da entidade, em Dusseldorf, na Alemanha, o mesmo que vai oficializar o inchaço da Eurocopa a partir de 2014 (leia mais aqui).

Um problema é que o estatuto da Uefa proíbe desde 1999 a entrada de países e territórios que não sejam ligados à ONU – outro pleito da Espanha, que não queria ver a Catalunha e o País Basco jogando as eliminatórias da Eurocopa e da Copa do Mundo. Mas Gibraltar alega que seu pedido foi feito antes dessa alteração.

Outro problema é que, como a Fifa não aceitou Gibraltar, de nada adianta, na prática, a Uefa filiar o enclave, que continuaria impedido de disputar competições internacionais. Assim, a Uefa se vê entre a cruz e a espada: ou obedece à entidade máxima do futebol ou segue a ordem do organismo máximo de arbitragem do esporte mundial. Uma confusão e tanto por causa de uma seleção que, no máximo, vai brigar para não ficar nos últimos lugares das competições que eventualmente venha a disputar.

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