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URUGUAI SOFRE, MAS PASSA PARA AS QUARTAS

Jotabê Medeiros

26 de junho de 2010 | 13h03

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Debaixo de uma chuva fina no Nelson Mandela Bay Stadium, em Port Elizabeth, quase que o Uruguai é traído pela sua própria vocação defensivista.
Após fazer 1 X 0 na Coreia do Sul, com Suárez, recolheu-se demasiadamente e levou o empate, aos 22 minutos do segundo tempo. Aí, se reorganizou do meio para a frente, com Forlán coordenando as ações, e empatou com o mesmo Luiz Suárez (o jogador do Ajax agora é também artilheiro da Copa).
É a marca dessa Copa do Mundo até agora: o excesso de cautela, o desejo de chegar é maior do que o desejo de jogar. Times que têm a chance de resolver a partida se recolhem para garantir resultados.
O gol coreano saiu numa falha do goleiro Muslera, de 23 anos, talvez o ponto mais fraco dessa seleção uruguaia – ele saiu desnecessariamente numa bola aérea junto com Lugano, que por sua vez subiu atrasado e de costas.
O desempate só veio com Suárez aos 35 minutos, que matou a bola, cortou para dentro e levou dois zagueiros coreanos e chutou da entrada da área no segundo poste, longe do alcance do goleiro Woon-Jae Lee. É bom dizer que, antes disso, Suárez havia perdido duas chances incríveis, sozinho com o goleiro.
Agora, o Uruguai já está entre as oito melhores seleções do certame (na última participação no torneio, em 2002, ficou apenas em 26º lugar).
É a primeira equipe a se classificar para as quartas-de-final.
Campeã do Mundo em 1930 e 1950, o Uruguai procura recuperar o prestígio perdido. Tem tudo para ir mais longe, o time é sólido e rejuvenescido.
Foi um jogo de muitas opções. A Coreia, de Chu-Young Park, tocava muito bem a bola e envolvia o meio de campo do Uruguai, especialmente após tomar o gol no primeiro tempo.
O time coreano tem ótimos apoiadores, dois alas clássicos, muito habilidosos e ousados, destacando-se o lateral Du Ri.
No finalzinho, quase que a Coreia empata (a bola, chutada da entrada da pequena área, passou entre as pernas do goleiro Muslera e ia em direção ao gol, mas Lugano aliviou).
O treinador Huh Jung-Moo (o mesmo que no México de 1986 chutou Maradona) é esperto e ofensivo.

No final, os uruguaios dançaram a sua novíssima milonga e festejaram muito a classificação, que os recoloca no olho do furacão do futebol.
Como na canção de Jorge Drexler: “Llueve, llueve y en todos los rincones del país / la tierra está agradecida”.

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