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Zebra ou avestruz?

Mônica Manir

20 de junho de 2010 | 14h07

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Os times mais modestos da Copa não fazem curvas mirabolantes para explicar seu jeito de jogar: armam-se com unhas, dentes, cocurutos e cotovelos na defesa e, se sobrar uma bola, de preferência aérea, na defesa adversária, arriscam mudar o placar. A Suíça fez isso contra a Espanha, a Sérvia contra a Alemanha. A Nova Zelândia já tinha cantado a tática de se postar na retaguarda diante da Itália. Cantou a quem quisesse ouvir, entre eles o italiano Daniele De Rossi, que desdenhou da fragilidade alheia.

Pois a Azzurra não só levou um gol depois da falha de Cannavaro, em clara decadência depois de eleito o melhor jogador da Copa passada, como não conseguiu virar de vez o placar, fechando o jogo com um empate não exatamente surpreendente, considerando o currículo italiano em 2010. A Itália é a única seleção hoje na África do Sul virgem de vitórias neste ano. Em cinco jogos, perdeu um e empatou quatro, contando este último.

O goleiro neozelandês é excepcional? É bom, muito bom, tanto que foi apontado como forte candidato a alavancar a carreira na Europa, ele que joga no Wellington Phoenix, time do técnico Ricki Herbert. Mas também parece esforçado, pois passou a semana defendendo chutes de longa distância para não levar um frango da Jabulani. Paston é perspicaz também. Sabia que uma Itália de miolo pouco criativo insistiria em bombas de fora da área. 

Fica a questão, enfim, se falamos de mais uma zebra ou de um avestruz azul e branco, que foge da vergonha de não vencer uma seleção cuja tradição maior é ser fera no rúgbi.

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