A era da intolerância

A era da intolerância

Marília Ruiz

06 Novembro 2017 | 16h11

Acordei e vi o nome do JORNALISTA Mauro Beting nos trending topics do Twitter. Temi pela integridade física dele porque sabia que ele estava em Itaquera ontem. Temi porque vivemos a era da intolerância. A era da irrazoabilidade. A era da bizarra torcida única.

Corri para saber o motivo de ter o nome do Mauro na lista dos assuntos mais comentados. Descobri (aliviada até) que o problema, pasmem, é que ele é JORNALISTA e não é só palmeirense. O nome do Mauro foi alçado a “notícia”, porque alguns torcedores alviverdes não se conformaram com a análise tática do JORNALISTA.

Mauro escreve desde a pré-história sobre futebol. Escreve bem. Muito bem. Sabe descrever, sabe usar os números sem transformar o jogo em um gráfico ininteligível, sabe opinar, sabe usar verbos e adjetivos na mesma medida que Ademir da Guia sabia dominar a bola e “desfilar” em campo. Mauro usa seus talentos para ser reconhecidamente um dos melhores jornalistas em atividade.

Mas aparentemente ele ser um brilhante JORNALISTA é uma afronta para quem gostaria que ele fosse só palmeirense. Até os tijolos da arena Corinthians sabem que o JORNALISTA Mauro Beting, pasmem, torce para o Palmeiras. E daí?

Conheço Mauro Beting de outros muitos dérbis. Jornalismo não é um armazém de secos e molhados. Mauro não é comerciante. É jornalista e palmeirense. Não é um jornalista palmeirense.

Vida longa ao maior clássico do mundo. Vida longa ao jornalismo.

 

PS: Palmeirenses, creiam, até o avesso da peruca do Mauro é verde.