De Avendaño a Matthysse, o boxe argentino está anos-luz à frente do brasileiro

Hermanos são protagonistas em dois grandes eventos neste fim de semana

Wilson Baldini Jr.

13 Julho 2018 | 01h48

A exemplo do que aconteceu no Brasil, o boxe desembarcou na Argentina no fim do século XIX, vindo da Europa, por intermédio de marinheiros, que já conheciam esta prática esportiva criada na Inglaterra.
A diferença é que os “hermanos” levaram a “nobre arte” rapidamente para as classes sociais menos favorecidas. Com isso, o boxe logo se tornou popular e ganhou muitos adeptos.
Não demorou para que o boxe se tornasse o principal esporte olímpico dos argentinos. De Amsterdã-1928 a Helsinque-1952, a Argentina conquistou 30 medalhas nos Jogos Olímpicos, com o boxe sendo responsável por 20 pódios.
Destaque para Victor Avendaño (peso meio-pesado), Arturo Rodriguez (pesado), Carmelo Robledo (pena), Oscar Casanovas (pena) e principalmente Pascual Perez (mosca), apontado por muitos críticos como o melhor pugilista argentino de todos os tempos.
Victor Avendaño foi o primeiro argentino a ganhar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos, ao ficar em primeiro lugar em Amsterdã-1928, aos 20 anos de idade, após cinco anos de carreira. Como profissional, disputou nove lutas e virou juiz em 1945, atuando até 1979.
Aos 22 anos, Oscar Casanovas também subiu no lugar mais alto do pódio, Foi nos Jogos de Berlim-1936. Casanovas se tornou um dos pugilistas mais carismáticos e famosos da Argentina. Virou nome de um dos torneios mais importantes da nobre arte no país e ainda foi treinador de Victor Galindez, um dos pugilistas mais importantes de todos os tempos.
Arturo Rodriguez, além da medalha de ouro na categoria peso pesado em Amsterdã-1928, foi também capitão da seleção argentina de rúgbi.
Mas nenhum superou o feito de Pascual Perez. Campeão olímpico, mundial, maior nome do boxe argentino em todos os tempos e um dos maiores da história. Ele começou no boxe em 1944, aos 18 anos, e após  125 vitórias e 15 campeonatos conquistados, Perez chegava à conquista olímpica em Londres-1948. Tudo isso com apenas 1,52 metro de altura.
A entrada dos países da “cortina de ferro”, o duelo pelo pódio olímpico se tornou mais intenso. Além disso, os argentinos passaram a se profissionalizar mais rapidamente, encurtando a carreira amadora. A busca era por dinheiro, afinal a grande maioria dos praticantes vinham de famílias muito pobres.
Nos últimos 60 anos, apenas quatro medalhas olímpicas foram conquistadas pelo boxe argentino, que não sobe no pódio desde Atlanta-1996, com o bronze de Pablo Chacón.
Apesar do enfraquecimento do boxe olímpico, a nobre arte continua tendo destaque no quadro de medalhas. A Argentina é o nono país com mais medalhas no boxe: 24, sendo 7 ouros, 7 pratas e 10 bronzes. O boxe é responsável por 34,7% dos pódios olímpicos da Argentina na história dos Jogos.
A migração para o boxe profissional também garantiu sucesso para os “hermanos”, que somam 40 campeões mundiais. O Brasil só tem quatro. Além de Pascual Perez, nomes como os de Carlos Monzón, Nicolino Locche, Victor Galindez, Horacio Accavallo, Julio Cesar Vasquez e Jorge Castro se tornaram lendas nos ringues espalhados por todo o planeta.
Neste sábado, os “hermanos” são protagonistas em dois grandes eventos. Juna Jose Velasco tenta o cinturão interino dos meio-médios-ligeiros do Conselho Mundial de Boxe, diante do norte-americano Regis Prograis, enquanto Lucas Matthysse vai ter a oportunidade de expor o cinturão dos meio-médios da Associação Mundial de Boxe frente à lenda Manny Pacquiao.
A Argentina está anos-luz à frente do Brasil na nobre arte.

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