Documentário mostra a dificuldade de Muhammad Ali de se relacionar com as pessoas no início da carreira

Documentário mostra a dificuldade de Muhammad Ali de se relacionar com as pessoas no início da carreira

Produção do premiado cineasta Ken Burns, feito em sete anos e meio, tem 32 horas, divididas em quatro episódios

Wilson Baldini Jr.

19 de setembro de 2021 | 12h43

 

 

A lenda Muhammad Ali nao para de crescer. Um novo documentário sobre o esportista mais importante de todos os tempo estreia neste domingo, nos Estados Unidos, com os trabalhos de Ken Burns, de sua filha mais velha, Sarah, e do genro, Dave McMahon. A produção tem quatro episódios de oito horas cada foi feita em sete anos e meio.

Filhos, ex-esposas, jornalistas esportivos, atletas e ativistas foram entrevistados para costurar peças da vida carismática e complicada do tricampeão mundial dos pesos pesados, que morreu, aos 74 anos, em 2016.

“Existem muitos documentários realmente excelentes sobre Muhammad Ali. Eu acho que a meia hora de abertura, 20 minutos de ‘Ali’ de Michael Mann é um dos melhores que já foram feitos”, disse Burns, em uma entrevista para a Associated Press. “No entanto, ninguém tinha tentado fazer uma coisa de forma mais abrangente. Não é algo definitivo. Tentamos compreendê-lo desde o nascimento no início dos anos 40 na segregada Louisville, Kentucky,  até a morte por Parkinson.”

Burns, de 68 anos, premiado documentarista, que já abordou temas como a Guerra Civil norte-americana, a Segunda Guerra Mundial e Lei Seca, também fala de sua admiração por um dos maiores boxeadores de todos os tempos. “É uma figura tão atraente. Ele é complicado, há ressaca, existem problemas e não hesitamos em lembrar as pessoas ao longo deste filme que eles existem. No final, ele é um personagem americano transcendente. Ele tem assim muito, ainda hoje, para nos oferecer. Ele estava, é claro, na interseção de muitos temas: raça, política, guerra, fé e fidelidade.”

Confira os principais momentos da entrevista:

Quais foram suas descobertas quando você foi a fundo sobre a vida Muhammad Ali?
Acho que é esse senso de propósito. Ele coloca as luvas, tem algumas lutas e se declara como o maior. Mas aí tem a primeira luta com Joe Frazier, em 1971. Ele previu a vitória, foi impetuoso, foi ousado. Mas então fala sobre dar um exemplo porque todo mundo perde. Na verdade, todo mundo perde. Ninguém sai disso vivo. Ele entende isso. Ele passa para as pessoas realmente algo fundamental.

O que você aprendeu sobre como a opinião da América sobre Ali mudou durante as décadas?
Quando ele morre, esquecemos como era uma figura divisiva. Quando está fora ascendendo a tocha em Atlanta, esquecemos como era uma figura divisiva. Ele era considerado como um Buda, como uma figura religiosa. Eu acho que é o jeito que no meio dessa coisa barulhenta e cacofônica que era sua vida, quão incrivelmente ele estava centrado, como era proposital. (A imagem dele) já melhorou depois da derrota para Frazier na primeira das três lutas. Ele é atingido no último round e se levanta. Ao perder, vence. Por essa altura, estamos começando a perceber que estava certo sobre o Vietnã. Ele começou a reconquistar as pessoas.

Você sentiu que Ali espelhava a experiência negra década após década ou ele se definiu pela natureza de sua celebridade e por suas posições?
Acho que é um pouco dos dois. Ele refletiu aspectos disso naquilo que representou como um novo modelo que estava menos interessado nas velhas táticas do Sul dos Estados Unidos, movimento cristão pelos direitos civis, que tratava da integração. O dele era um pouco mais do Norte, um pouco mais inflexível sobre separação, que tem sido uma tradição na política negra desde Marcus Garvey, certamente antes disso. Mas, ao mesmo tempo, conforme se torna este enorme símbolo, e as pessoas começam a abraçar a ideia de uma nova forma da masculinidade preta, do tipo de confiança e vontade de dizer ‘estou lindo’ e ‘O preto é lindo’, isso faz parte do movimento Black Power.”

 

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