Luta de Pacquiao é como final de Wimbledon, decisão da NBA ou Superbowl. Mas a TV brasileira ignora

Mais de 100 países compraram os direitos de transmissão da luta deste sábado entre o astro filipino e o argentino Lucas Matthysse. No Brasil, é preciso caçar na internet

Wilson Baldini Jr.

14 de julho de 2018 | 10h55

 

Na década de 70, o jornalismo esportivo sofria com a falta de informação. Para se obter resultados, muitas vezes, era preciso mais de 24 horas. Um fato só era “conhecido” com muito atraso. Mesmo assim era possível acompanhar a carreira de grandes astros. Com detalhes, com perfis enormes, que destrinchavam a vida de esportistas importantes.

Atualmente, o meio de comunicação mais importante, o que orienta aqueles que gostam do mundo esportivo, é a televisão. É através da tela que se forma o torcedor apaixonado do futuro. No Brasil, temos 11 canais especializados em esporte. Mas nenhum deles se interessou em passar a luta entre Manny Pacquiao e Lucas Matthysse, neste sábado.

Este duelo é como uma final de Wimbledon, uma decisão na NBA ou um duelo do Superbowl. Vale matérias durante a semana que antecede o combate, com entrevistas, perfis e informações que apresentem os pugilistas ao público e o leve a ver a luta no sábado à noite com mais conhecimento sobre o assunto.

Aos 39 anos, Pacquiao não está mais no auge da forma, mas sua história o credencia a ter um lugar entre os maiores boxeadores de todos os tempos. Foram títulos mundiais em oito categorias. Suas lutas são fatos importantes, que merecem registros. Assim como é feito com os eventos de tênis, basquete, vôlei, futebol americano, motociclismo, automobilismo, etc…

Suas lutas sempre foram intensas, disputadas do primeiro ao último segundo. Trata-se de um herói em seu país, que, como senador, luta também fora do ringue para melhorar de verdade um país pobre e miserável, assim como ele próprio fora na infância. E Pacquiao tem o reconhecimento de seus conterrâneos, que param as Filipinas em dia de seus combates. É um personagem único.

Manny Pacquiao é como Muhammad Ali, Sugar Ray Robinson, Mike Tyson ou Eder Jofre.

A desculpa é que o evento custa muito dinheiro. Aí entra o patrocinador. E para conquistá-lo os canais de esporte possuem formas sedutoras como comerciais antes e durante o evento. Espaços publicitários em seus sites e nas redes sociais, cada vez mais influentes.

Enfim, este é apenas um desabafo de uma amante da nobre arte, esporte repleto de grandes exemplos, mas que é muito mal tratado em nosso País.

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