Primeiro a derrotar Maguila, argentino Daniel Falconi planeja encontro no Brasil

Primeiro a derrotar Maguila, argentino Daniel Falconi planeja encontro no Brasil

“Acompanho todo o noticiário do Maguila. Sei que ele está doente. Torço muito por ele e espero poder vê-lo em breve”

Wilson Baldini Jr.

04 de fevereiro de 2019 | 15h52

 

Daniel Falconi tem o seu nome marcado na história do boxe brasileiro. Em 31 de janeiro de 1985, no ginásio do Corinthians completamente lotado, impôs ao brasileiro Adilson Maguila Rodrigues sua primeira derrota na carreira, com um avassalador nocaute no terceiro assalto, que lhe valeu o título sul-americano dos pesos pesados.

Quatorze meses depois, no mesmo ringue, perdeu o título por nocaute no sétimo assalto e quase ficou cego. Mais de três décadas depois, Falconi, aos 60 anos, sonha com um reencontro com o antigo adversário, de quem tem muita admiração.

“Acompanho todo o noticiário do Maguila. Sei que ele está doente. Torço muito por ele e espero poder vê-lo em breve”, disse o argentino, que mora em Gênova, na Itália. Ele vai vir para a Argentina em abril e pretende ficar alguns dias em São Paulo. “Maguila deve ter orgulho de sua carreira. Ele mudou muito quando trocou de técnico (Ralpf Zumbano para Miguel de Oliveira) e lutou com muita gente importante”, disse o ex-peso pesado, lebrando dos combates históricos de Maguila com Evander Holyfield e George Foreman.

Falconi revelou que na segunda luta com Maguila sofreu descolamento de retina no primeiro assalto. “Meu técnico queria parar a luta no segundo round, mas eu pedi para seguir com um olho só até o sétimo.” O argentino falou que tinha uma proposta para enfrentar o norte-americano Michael Spinks, um dos campeões da época. “Na Itália, me salvaram o olho, mas tive de largar o boxe.” Falconi lutou apenas de 1982 a 1986, somou 17 vitórias (11 nocautes) e três derrotas.

Funcionário de um banco, pai de três filhas (duas jogam polo aquático na seleção argentina), Falconi ensina boxe todas as noites em alguns clubes de Gênova, além de desenvolver um projeto contra o bullying, mas continua acompanhando o noticiário da categoria dos pesos pesados. “Anthony Joshua é o melhor peso pesado do momento. Admiro Tyson Fury, pois mostrou determinação para perder peso e retornar a lutar. Deontay Wilder não gosto porque ele não respeita seus adversários”, analisou os principais nomes da atualidade da principal categoria do boxe.

Falconi também falou do atual momento pelo que passa o boxe argentino. “Faltam bons técnicos. Falta escola de boxe. Assim fica difícil renovar a cada geração.”

Falconi mostra entusiasmo sobre um possível reencontro com Maguila, mas vai ficar faltando no currículo uma terceira luta com o brasileiro. “Com certeza, gostaria muito ter a chance de uma terceira luta.”