Sem a Globo, o excepcional GP da Bélgica de F-1 está fadado a ser tão ‘desconhecido’ quanto Mayweather, Pacquiao e Canelo

Sem a Globo, o excepcional GP da Bélgica de F-1 está fadado a ser tão ‘desconhecido’ quanto Mayweather, Pacquiao e Canelo

A partir de 2021, os amantes da principal categoria do automobilismo vão sentir na pele o que os fãs da nobre arte nacional já sentem há muito tempo.

Wilson Baldini Jr.

30 de agosto de 2020 | 15h47

 

Aprendi a gostar de Fórmula 1 com o meu pai, ouvindo as transmissões pelo rádio, aos domingos de manhã, com as vitórias de Emerson Fittipaldi. Desde então, acompanho como amante do esporte e tive o prazer de cobrir 15 GPs do Brasil para entender a importância que este evento tem no mundo do automobilismo.

Esta semana fiquei triste com a notícia de que a TV Globo não vai mais transmitir a modalidade que já teve Fittipaldi, Jose Carlos Pace, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Felipe Massa e tantos outros heróis das pistas. Outra emissora poderá comprar os direitos, mas infelizmente o poder de divulgação não será o mesmo.

Maior tristeza ainda é saber que daqui a alguns poucos anos o excepcional GP da Bélgica, disputado neste domingo, com as incríveis curvas Eau Rouge e Radillon será tão “desconhecido” quanto Floyd Mayweather, Manny Pacquiao ou Saul Canelo Alvarez. Tudo porque no Brasil só vale acompanhar um esporte se tivermos brasileiros em destaque.

Ouço muito dizer que a F-1 morreu junto com Senna em 1994. Pergunte aos fãs da Finlândia (Mika Hakkinen e Kimi Raikkonen), Alemanha (Michael Schumacher, Sebastian Vettel, Nico Rosberg), Inglaterra (Damon Hill e Lewis Hamilton), Espanha (Fernando Alonso) ou Itália (Ferrari) se isso é realmente verdade. Esse pessoal continuou acompanhando quando o Brasil era o país da F-1 nos anos 70, 80 e 90. Mas o brasileiro não gosta de esporte, só gosta de se gabar de brasileiros vencedores.

Agora, sem transmissão – e consequentemente, sem divulgação – provas e circuitos tradicionais como Mônaco e Spa se tornarão, no Brasil, lembranças na memória de quem conheceu, e ilustres desconhecidos do grande público.

Uma pena. A partir de 2021, a Fórmula 1 vai sentir na pele o que o boxe brasileiro já sente há muito tempo.

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