Dois grandes em caminhos opostos

Jornal da Tarde

30 de julho de 2012 | 22h45

O jogo de domingo no Morumbi mostrou que dois grandes do futebol brasileiro vão trilhar caminhos bem diferentes no campeonato. O São Paulo tem elenco para brigar lá em cima, enquanto o Flamengo terá de abrir os olhos para não ficar chafurdando na lama dos que tentam escapar do rebaixamento.
O Tricolor, mesmo com um esquema ainda muito cauteloso para o meu gosto, com três zagueiros e um volante que não sabe atacar como lateral-direito, sobrou em campo.
Não é de hoje que digo que o São Paulo tem um dos melhores elencos do Brasil. E, mais do que isso, tem jogadores muito bons do meio de campo para a frente.
Na minha opinião, dos técnicos que passaram recentemente pelo Morumbi quem mais tentou aproveitar o potencial ofensivo do elenco foi o Leão. O Ney Franco chegou com grande respaldo da diretoria e elogiado pelos garotos que trabalharam com ele na Seleção Sub-20, por isso espero que aproveite esse apoio todo para montar um time que jogue para a frente e mostre um futebol agradável.
Meu caro Ney, você está dirigindo um time grande. Então, faça o São Paulo jogar como um time grande. Esse negócio de três zagueiros é um atraso de vida, porque se perde uma vaga que poderia ser preenchida por um meio-campista capaz de ajudar a armar o jogo. Quanto mais gente em campo para municiar os atacantes, melhor.
Depois dessa goleada de domingo o Tricolor vai ter uma semana para respirar e se preparar para começar uma arrancada na classificação. Tomara que daqui para a frente o presidente e o vice-presidente do elenco (Rogério Ceni e Luis Fabiano) não deixem o time na mão por lesão ou suspensão. Com eles a equipe fica encorpada.

Se no Tricolor as perspectivas são animadoras, no Mengão o céu está carregado de nuvens negras. Dorival Júnior e Zinho pegaram um “pepinaço”, fruto de anos de administrações desastrosas comandadas por dirigentes sem o menor preparo para comandar um clube desse tamanho.
Será que alguém na Gávea tem esperança de que reforços como Ibson e o brucutu paraguaio Caceres acrescentem alguma coisa boa ao time?
Com a equipe afundando a cada rodada, tudo leva a crer que mais uma vez o Flamengo vai desperdiçar uma boa geração de garotos. Gente como Negueba, Tomás, Adryan, Luís Antônio e Mattheus poderia deslanchar se o time estivesse ajeitado e a situação fosse tranquila, mas dentro da panela de pressão correm o risco de se queimar, o que seria uma pena.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.