Esse calendário é uma vergonha

É preciso reformular algumas competições no Brasil e extinguir a Sul-Americana para ver se a qualidade dos jogos melhora por aqui. Mas com os cartolas que temos no continente vai ser difícil...

Jornal da Tarde

21 de fevereiro de 2012 | 13h27

Vim passar o carnaval em Floripa com minha mulher, e como não houve jogos domingo nos principais centros do Brasil fiquei batendo papo com o meu enteado Diogo Reis, sobrinho do craque Afonsinho, sobre o calendário do futebol aqui e na América do Sul.

Já está mais do que na hora de haver uma reformulação radical para reduzir o número de partidas. Não dá mais para aguentar que os Estaduais sejam tão inchados, com tantos times ruins para encher a paciência.

E também acho um absurdo a existência da Copa Sul-Americana, que só serve para carregar o calendário do segundo semestre. O que interessa é a Libertadores, essa Sul-Americana não vale nada.

Do jeito que está, temos a Libertadores na primeira metade do ano e a Sul-Americana na segunda. As datas ficam muito concentradas, e os times têm de correr para lá e para cá.

Na Europa, que dá um show de organização e profissionalismo, as competições internacionais são disputadas ao longo de toda a temporada.

Mas é difícil ter esperança de mudança, porque os três cartolas mais influentes da América do Sul não largam o osso: Ricardo Teixeira (presidente da CBF desde 1989), o argentino Julio Grondona (manda na AFA desde 1979) e o paraguaio Nicolás Leoz (presidente da Confederação Sul-Americana desde 1986). Que trio, hein?

 

Mais tempo para treinar
Torço muito para que o nosso “amado” Ricardo Teixeira não resista à pressão e resolva puxar o carro, mas se isso acontecer a chance de o seu substituto ser alguém interessado em melhorar o calendário é zero.

Vamos ficar na mão de quem? Do José Maria Marin, aquele que gosta de enfiar medalhas no bolso? E que é cupincha do Marco Polo Del Nero, o homem que amontoa 20 times no Paulistão e dá 15 dias para os times grandes treinarem quando voltam das férias? Ou vai entrar o presidente de alguma federação que só vai querer saber de olhar para o próprio umbigo?

Com um calendário menos puxado, os times teriam mais tempo para treinar e a tendência é que os jogos melhorassem. E aí talvez acabasse essa frescura de técnico dizer que precisa poupar os titulares domingo porque o jogo de quarta é mais importante…

Os times europeus têm mais tempo de preparação na pré-temporada, não há rodada quando as seleções jogam, a Copa dos Campeões para durante o período de inverno mais bravo… Será que algum dia um iluminado vai copiar isso aqui no Brasil?

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