O fundo do poço se aproxima

O futebol brasileiro vai de mal a pior em todos os aspectos

Jornal da Tarde

11 de setembro de 2012 | 15h54

Não me canso de falar e opinar sobre o momento tenebroso vivido pelo futebol brasileiro já há alguns anos. Alguns leitores me mandam email dizendo que sou repetitivo, mas para essas pessoas digo que nada mais faço do que retratar a realidade do nosso futebol. E não estou sozinho nas críticas à pobreza que vemos em campo hoje nem na cruzada pela volta do jogo bonito e ofensivo. Tostão em suas colunas, Gérson e Casagrande em seus comentários, Rivellino e Carlos Alberto Torres em suas entrevistas – só para citar alguns – também vivem mostrando a decepção que sentem com o que têm visto. Não sou de fazer média com ninguém nem de dourar a pílula, por isso vou continuar dando pancada enquanto o quadro não mudar.
O futebol brasileiro está caminhando a passos largos para o fundo do poço porque está ruim em todos os aspectos.
Dentro de campo, nunca vi tanto jogador de baixa qualidade técnica vestindo a camisa de times grandes. São poucos os que tratam bem a bola, poucos os que sabem se posicionar em campo, raros os que dominam os fundamentos. E o resultado é que vemos partidas cada vez mais feias e violentas, com jogadores que são melhores no antijogo do que no jogo…
Como pode um clássico entre Santos e São Paulo ter mais de 80 passes errados num gramado bom como o da Vila? Deviam devolver o dinheiro para quem pagou ingresso…E como pode um cara como o Pierre, que é escalado para não deixar o adversário jogar, fazer sete faltas só no Valdivia e só receber o cartão amarelo aos 45 minutos do segundo tempo?
Aí entramos em outro problema do nosso futebol: o nível das arbitragens. A safra é muito ruim, com apitadores incompetentes, despreparados e mal orientados.

Também estamos a pé de treinadores. Os “professores” tentam manter seus empregos jogando para não perder e dando mais espaço a quem corre e dá carrinho do que a quem joga bola.

Os dirigentes também são de doer. Gastam mais do que podem, jogam pra torcida, colocam interesses pessoais acima dos do clube e da CBF… Joguei dez anos na Seleção e defendi cinco grandes clubes, por isso sei como as coisas funcionam no meio. E digo que o baixo nível dos cartolas de hoje assusta.

Por fim, ainda temos de aturar os analistas de computador, comentaristas que nunca chutaram uma laranja e “resolvem” todos os problemas com uma arrogância irritante. PVC, PCV, Bertozzi, Calçade, Loffredo, Lino… Haja controle remoto…

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