O mau exemplo dos jogadores

Jornal da Tarde

13 de fevereiro de 2012 | 22h17

Os jogadores precisam começar a contar até dez antes de terem atitudes violentas dentro de campo, porque as bobagens que fazem têm reflexo nas arquibancadas. E os últimos dias foram pródigos em atos condenáveis nos gramados.

Na minha opinião, o mais grave foi o protagonizado pelo uruguaio Luis Suárez antes do jogo entre Liverpool e Manchester United. Ele estava voltando de uma suspensão pesada por ter feito insultos racistas ao lateral negro Evra, do Manchester, e voltou a pisar na bola ao se recusar a dar a mão para ele no centro do campo. Lamentável!

É inaceitável que o racismo continue presente no futebol. O tal do Suárez, que é um jogador no máximo razoável, tem cara de índio – como também têm vários jogadores argentinos, chilenos, paraguaios, peruanos… Ninguém os discrimina por seus traços, nem haveria motivo para que fossem tratados com preconceito. Por isso não dá para entender que esse sujeito se sinta superior a um colega de profissão por causa da cor da pele.

A Fifa, que vive falando em “fair play”, não se mexe para tomar atitudes firmes no combate ao racismo. Fazer os times entrarem com faixas “abaixo o racismo” não resolve nada. Nesses casos o que resolve é punição, e punição pra valer.

E os técnicos?

Outra coisa que não engoli foi a patada que o Leandro Euzébio, do Fluminense, deu no rosto de um argentino no jogo contra o Arsenal pela Libertadores. Não se faz isso com um colega. E tão revoltante quanto a agressão foi a benevolência do Abel Braga, que domingo escalou o valentão para o clássico com o Vasco como se nada tivesse acontecido.

Os técnicos precisam ser duros com jogadores que fazem isso, dar um gelo neles. Se a expulsão do Leandro Euzébio tivesse acontecido dez minutos mais cedo (foi nos acréscimos) o Flu poderia ter sofrido o empate. Por sorte o placar não mudou, mas o cara precisava levar um castigo para ver se cria juízo.

Aliás, juízo é artigo em falta na cabeça do são-paulino João Filipe. O que pensa – se é que pensa – um jogador que dá um pontapé covarde daquele num adversário? Se ele não gosta de jogar improvisado na lateral, converse com o treinador e peça para não ser escalado ali.

O que não dá é pra descontar sua insatisfação em quem está jogando bola.
No Pará, um jogador agrediu o outro com uma barra de ferro. Pode um negócio desses? A valorização dos “guerreiros” dá nisso: valentões e violentos batem a torto e a direito. E o futebol perde sua essência.

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