O menos ruim vai em frente

Jornal da Tarde

25 de junho de 2012 | 22h11

A eliminação da Inglaterra nos livrou de mais um time fraco na Eurocopa, mas por outro lado significou a classificação da sem graça equipe italiana para as semifinais. No futebol de hoje quase sempre é assim: vai em frente o menos ruim.

Na turma dos comentaristas que nunca chutaram uma laranja está cheio de gente que morre de amores pelo futebol inglês e chama de craque jogadores que estão muito longe disso. Exemplos? Gerrard, Lampard, Rooney… E o tal do Terry na zaga? Cintura dura, sem recursos técnicos… Um horror.

O nível dos jogadores já não é nenhuma maravilha, e aí para completar os dirigentes da Federação colocam como treinador um cara como o Roy Hodgson. Ele não sabe nada de bola e tem um currículo que pra ser chamado de modesto ainda precisa melhorar. Não dava mesmo para esperar nada do English Team, que vai continuar vivendo daquele título mundial roubado que ganhou em casa em 1966. Em Copas do Mundo e Eurocopas a Inglaterra é figurante.

A Itália também não me agrada. A tradição do país é se gabar de ser o que melhor se defende, e isso já diz tudo. O primeiro objetivo dos italianos é sempre impedir o adversário de jogar.

Sábado me preparei para ver uma grande partida entre Espanha e França, mas me decepcionei. Só um time quis jogar, por isso não houve jogo. O senhor Laurent Blanc, técnico francês, deixou Nasri, Ben Arfa e Menez no banco, e colocou seu time em campo para se defender e apostar num contra-ataque ou numa bola parada.

A Espanha fez 1 a 0 e a França continuou na mesma toada, sem um pingo de coragem para atacar. E o pior é que o time tinha jogadores e qualidade técnica para ser mais ousado.

As exceções na Eurocopa são Alemanha e Espanha, duas seleções que fogem da maldita onda do futebol de resultados. E é por isso que estou fazendo figa para que não dê zebra no meio da semana e essas duas equipes se enfrentem domingo na final.

Não me conformo quando ouço gente dizer que o estilo de jogo da Espanha é chato e que faltam atacantes. O que a Espanha faz, seguindo o modelo do Barcelona, é não dar a bola para o inimigo. Ninguém rifa a redonda, todo mundo toca de um pé para o outro.

Para quem joga, a melhor coisa é não ter de correr atrás da bola. E para quem corre atrás é um inferno, porque você se cansa mais e tem menos perna para jogar quando consegue recuperar a bola.

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