Questão de estilo

Jornal da Tarde

15 de agosto de 2012 | 18h10

A maneira como um time joga reflete a maneira como o seu treinador vê o futebol. Quem jogou bola e gosta de futebol bem jogado prepara o seu time para ser corajoso e impor um estilo agradável. Quem nunca chutou uma laranja escolhe o caminho mais fácil, que é adotar o pragmatismo e o “futebol eficiente”. Digo isso porque o rendimento de Brasil e Argentina nos amistosos desta quarta-feira deixou bem claras as ideias de seus treinadores.
O Brasil pegou o horroroso time da Suécia, que não tinha em campo seu único cara que sabe jogar (Ibrahimovic), e entrou com um meio de campo que mais corre do que pensa: Rômulo, Paulinho, Ramires e Oscar. Todos são carregadores de bola, com a ressalva de que o Oscar é o único capaz de driblar, tabelar e fazer um passe diferente. O jogo foi de dar sono, e os gols do Pato no finalzinho deram a falsa impressão de que a Seleção deu um chocolate naqueles branquelos sem cintura.
O  Mano gosta de marcação e jogadores “obedientes”. Lembram que na Olimpíada ele botou o Alex Sandro no lugar do Hulk para jogar contra a Coreia? Depois repetiu a bobagem na final e teve de recolocar o Hulk ainda no primeiro tempo porque o barco estava afundando.

E a Argentina? Enfrentou  a Alemanha em Frankfurt e merecia ter ganho por mais do que 3 a 1, porque o Messi perdeu um pênalti e o time mandou duas bolas na trave. O Alejandro Sabella foi um belo meia-esquerda, que sabia tratar a bola. Por isso monta o time para tentar envolver o adversário na base da técnica. Tudo bem que a Alemanha estava desfalcada e teve um jogador expulso no primeiro tempo, mas a Argentina foi fiel às ideias de seu treinador.  O segundo tempo foi um passeio, com Messi, Agüero, Higuaín e Di Maria enlouquecendo os alemães com seus dribles e tabelas.
Jogar com um a mais é fácil quando o time tem jogadores habilidosos e com capacidade para tirar proveito dessa vantagem. Lembrem-se que na Olimpíada o Brasil penou para ganhar de virada de Honduras, que ficou com dez ainda no primeiro tempo e no final teve mais um expulso;

Quando digo que gostaria de  ver o Guardiola como técnico da Seleção quero dizer que gostaria de um técnico que fizesse o Brasil jogar como Brasil. Sei que é um sonho quase impossível, mas prefiro sonhar com isso a imaginar que se sair o Mano pode entrar o Felipão…

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