Técnico bom é artigo em falta

Jornal da Tarde

18 de junho de 2012 | 21h55

Passei o fim de semana no Rio para comemorar meu 63º aniversário perto dos amigos de longa data e tive a chance de conversar com vários ex-jogadores. Alguns que bateram um bolão na época em que eu jogava, outros que pararam de jogar não faz muito tempo. E o assunto predominante em todas as rodinhas foi o seguinte: estamos a pé de treinadores no futebol brasileiro. Um desses amigos me contou uma história de um comandante de um time da Série A que deixa claro que o cara não sabe nada de bola. Mas sempre tem clube para esse “professor”…

Uma bobagem que nos irrita muito é ouvir que “o forte do time é o jogo coletivo, porque não tem um grande jogador capaz de desequilibrar”. Dizer que alguma equipe joga coletivamente aqui no Brasil é enganar o torcedor, porque a verdade é que nenhum faz isso.

Para haver jogo coletivo é preciso existir posse de bola, porque só assim é possível envolver o adversário e ir minando a sua força. E o time que fica com a bola e tem volume de jogo corre menos riscos.

Jogo coletivo é o que faz o Barcelona, o que faz a Espanha, o que faz o Borussia Dortmund. O Corinthians ser citado como exemplo de “jogo coletivo” é uma piada de mau gosto. Para deixar claro de uma vez: jogo coletivo é quando todo mundo joga bola, e não quando todo mundo marca e trabalha mais para não deixar o adversário jogar do que para fazer sua equipe jogar. Um time que joga coletivamente se destaca mais pelo ataque do que pela defesa, e este está longe de ser o caso do Timão.

O Santos também não joga coletivamente. O time tem dois jogadores muito acima da média e vive da individualidade deles. Quando Ganso e Neymar não estão em campo ou não jogam bem, é difícil sair algo bom.

Entre os ex-jogadores que dirigem times, a maioria é gente que não tratava bem a bola. Felipão: zagueiro de roça. Mano: zagueiro de roça. Joel Santana: zagueiro dos piores. Abel Braga: mesma coisa. Tite: esforçado. Dorival Júnior: esforçado. Argel: zagueiro fraco e violento. Gallo: volante burocrático.
Temos os “professores”, aqueles que como dizia o mestre Zizinho nunca chutaram uma laranja: Celso Roth, Oswaldo de Oliveira, Gilson Kleina…

E temos os que mais me decepcionam, aqueles que foram jogadores técnicos (Muricy, Cristóvão) ou jogaram ao lado de craques (Luxemburgo, que jogou com um monte de feras no Flamengo) e desprezam a essência do futebol brasileiro para se render ao futebol de resultados e à falta de jogo construído.

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