A primeira vez de Tandara e Roberta

A primeira vez de Tandara e Roberta

Bruno Voloch

28 de novembro de 2019 | 08h20

O clássico entre Osasco e Rio chega cedo, será na sexta-feira no Liberatti e vale muito mais do que a invencibilidade na Superliga.

A maior rivalidade do país ganhou ingredientes inesperados e inimagináveis tempos atrás.

Depois se declarar ao clube paulista, Tandara retornou da China e assinou com o Rio deixando para trás todo discurso do passado e as juras de amor. Para muitos, especialmente a torcida, a atitude da jogadora foi considerada traição, para outros simplesmente a atleta agiu com profissionalismo usando o direito de ir e vir.

Não dá para recriminar Tandara e bobos são aqueles que (ainda) acreditam na paixão clubística, algo raríssimo no esporte. O bolso continua falando mais alto, embora há quem diga que não tenha sido esse o caso.

A recepção não deverá ser das mais calorosas.

O respeito existe, assim se espera, mas a relação com o torcedor de Osasco ficou arranhada e Tandara deve se preparar para ouvir poucas e boas no ginásio.

Do outro lado da quadra Roberta irá viver situação semelhante. Ninguém conhece melhor a levantadora do que Bernardinho. Foram quase 10 anos juntos, desde quando o projeto ainda engatinhava em Curitiba.

Considerada, injustamente, a vilã da temporada passada quando o Rio caiu nas quartas de final, a jogadora deixou de ser prioridade no Rio e não pensou duas vezes antes de aceitar a proposta do rival. Mudança que chega em ótima hora na carreira de Roberta.

A adaptação não tem sido fácil, tanto que Roberta bancou nas duas últimas partidas de Osasco para Pri Heldes. É preciso tempo e muita paciência nas arquibancadas.

Para Tandara o Rio é mais um e as trocas são rotineiras, vide o currículo dela. Para Roberta não.

A tarefa da levantadora em tese é mais simples quando o jogo começar. O segredo é ignorar literalmente a ex-comissão técnica, evitar troca de olhares e não cair nas possíveis provocações, estratégia manjada e conhecida usada pelos integrantes. Roberta precisa enxergar o Rio como adversário e responder na bola.

A concentração será fundamental em ambos os casos.

Tandara é mais experiente e está acostumada com xingamentos e despropérios. Sofre até hoje na pele quando joga contra o Praia em Uberlândia. Em Osasco, onde foi ídolo, o segredo será ouvir, administrar, não revidar, evitar o deboche e usar os possíveis insultos como incentivo.

Roberta e Tandara são experientes, jogadoras de seleção e acostumadas com pressão e responsabilidade.

A situação porém é inédita na carreira delas. Como se não bastasse, Osasco e Rio é sempre especial, diferente e um campeonato à parte.

 

 

 

 

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