Alan, ex-líbero da seleção, questiona critérios de Renan, fala em submissão, favorecimento e afirma: ‘Panela e cartas marcadas’.

Alan, ex-líbero da seleção, questiona critérios de Renan, fala em submissão, favorecimento e afirma: ‘Panela e cartas marcadas’.

Bruno Voloch

10 Julho 2018 | 09h50

A inesperada convocação de Murilo, a força dos ‘senadores’, a conivência de Renan e os critérios adotados pela atual comissão técnica da seleção brasileira continuam repercutindo negativamente nos bastidores.

A maneira como a coisa vem sendo conduzida, e abertamente, desagrada aqueles que já vestiram a camisa do BRASIL por méritos próprios.

É o caso de Alan, ex-líbero da seleção brasileira e campeão mundial em 2010, que está de malas prontas para a Finlândia. O jogador, que defendeu Montes Claros na última Superliga, foi procurado pelo blog.

Alan resolveu falar. Ele é mais um, entre tantos, que não se conforma com a política atual do vôlei masculino. Alan diz que os melhores não são chamados, critica Murilo e afirma categoricamente que existe ‘panela’ na seleção.

Fala em ‘cartas marcadas’ e sugere que Renan receba ordens superiores para convocar determinados atletas.

Você, segundo as estatísticas da Superliga, foi considerado um dos melhores líberos da competição. Por que não foi chamado para a seleção?

Segundo as estatísticas, sim. Por que colocam as estatísticas nos jogos se no final da competição não vale para nada? Tudo que você fez durante a temporada é jogado no lixo. Antes você era convocado pelo seu aproveitamento e rendimento no clube. Hoje não. Será que não fui convocado pela idade? Porque experiência eu tenho. Isso é uma dúvida que vou carregar comigo. Passei um período na seleção e o que atrapalhou foi minha lesão no tendão.  Mas esse ano provei a mim mesmo que posso jogar em alto nível.

Como enxergou a convocação do Murilo?

Acho uma falta de respeito com todos os líberos do BRASIL. Você vem lutando batalhando há muito tempo para poder ter uma chance e um jogador que atuou 6 meses na posição é chamado. Falar que é respeitado, sim, como ponteiro e por tudo que conquistou nessa posição. Não como líbero. Não é de um dia para outro que você se torna um bom líbero.

Então existe mesmo política na seleção?

Não posso dizer que é política porque já estive lá e sei como funciona. Acho que favorecimento para alguns jogadores sim. Existe.

Até onde vai o poder dos ‘senadores’ e o jogo de cartas marcadas ?

Existe sim cartas marcadas na seleção. Posso dizer panela.

Por que Renan se submete a essa situação?

Conheço o Renan há muito tempo. Tenho carinho e respeito por ele, afinal foi ele que me deu uma chance para poder jogar minha primeira Superliga em 1997 e me colocar nesse posição de líbero. Será que ele se submete ou vem de cima a ordem para convocar jogador?

Você foi sondado por Campinas, Cruzeiro e Taubaté. Não acertou. Por que optou em voltar para a Europa?

Campinas eu me ofereci para jogar lá. É uma cidade e um time que aprendi a gostar mas não rolou. Pelo fato de estar perto de casa, agora que sou pai, gostaria muito de poder estar no meu país. Recebi sondagem do Cruzeiro e Taubaté, mas não deu certo. Optei pela Europa porque aqui já os times já estavam fechados.

Como surgiu a proposta da Finlândia?

Sobre a Finlândia eu corri atrás, entrei em contato com um amigo meu que joga no time e aceitei esse desafio pelo fato do time jogar a Champions League.