Caso Ana Cristina: o começo é o início do fim

Caso Ana Cristina: o começo é o início do fim

Bruno Voloch

29 de março de 2020 | 19h09

Ana Cristina Menezes Oliveira de Souza completará 16 anos no dia 7 de abril.

Para muitos, ela é a maior promessa do vôlei brasileiro. 1,92m, biótipo herdado da mãe Ciça, ex-jogadora de vôlei, e do pai Alex, ex-jogador de basquete.

Ana foi eleita a melhor ponteira do campeonato mundial feminino sub-18 do Egito em 2019. Só que esse talento pode estar com os dias contados no BRASIL.

O blog recebeu a informação que Ana Cristina estaria de malas prontas para a França.

Viajaria acompanhada dos pais, financiados pela SB Community, presidida por Bojan Simurina, com promessas, cifras acima da média e garantia de estudos para filha e trabalho para a família, o que teria pesado para a suposta mudança.

Fontes garantem ao blog que o contrato já estaria assinado.

A empresa com sede na Europa, Sérvia e Rússia, é representada no BRASIL por Eduardo Fonseca, ex-empresário de atletas como Tandara, Mari Paraíba e Samara, as duas últimas, segundo consta, cobrando valores devidos pela SB e não pagos em transações passadas.

A pandemia do coronavírus teria atrapalhado os planos da SB Community já que ninguém sai e ninguém entra praticamente em lugar nenhum, salvo raríssimos casos.

Ana Cristina, ainda, não deixou o país e estava mantendo a forma em São Caetano. O contrato com o Pinheiros acabou no fim do ano passado e não foi renovado, já em função da mudança para a Europa.

O blog, como manda o jornalismo, fez contato com a mãe da atleta que não retornou a ligação, talvez alertada pelo conteúdo e a gravidade do tema. É bom que a Ciça esclareça o caso, o quanto antes, como anda dizendo pelas redes sociais.

A CBV, Confederação Brasileira de Vôlei, nesse caso não pode evitar e impedir que a jogadora saia do BRASIL. A responsabilidade, pela idade dela, é dos pais.

Direito deles. Ponto.

A SB Community, até onde o blog chegou, não descarta naturalizar Ana Cristina no futuro.

De início, com a família instalada e empregada, ela seria, como a maioria, ‘usada’ no Volero Zurich, prática comum por lá, para que depois, com cautela os empresários possam definir o caminho a ser seguido.

Não é o primeiro, embora com Julia Bergmann o contexto fosse outro, e não será o último caso. O que acontece com o futebol com meninos brasileiros mundo afora, estaria apenas começando no vôlei.

Era o que faltava e tomara que tudo isso não passe de um grande mal-entendido.

Os talentos já são escassos e para piorar os empresários, de fora, agem livremente movidos pela ganância e a força da moeda sem qualquer pudor.

Portas abertas.

O caso Ana Cristina, se confirmado, é o início do fim.

 

 

 

 

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