Coronavírus acaba com fair play financeiro na Superliga

Coronavírus acaba com fair play financeiro na Superliga

Bruno Voloch

21 de maio de 2020 | 08h27

O tal fair play financeiro nunca foi levado a sério no BRASIL. E nem poderia.

Os clubes devedores, com a conivência da CBV, Confederação Brasileira de Vôlei, encontram brechas, abusam das artimanhas jurídicas e descaradamente não cumprem seus compromissos.

Saem de cena e retornam como se nada tivesse acontecido. Quem se sentir prejudicado que procure seus direitos. Sem mais.

Assim tem sido nas últimas temporadas. São vários os exemplos. E nada mudou. O cenário continua o mesmo, basta ver a quantidade de clubes inadimplentes no mercado, no masculino e feminino, Superliga A e B.

O regulamento diz que todos os clubes devem apresentar Declaração de Regularidade Financeira. Para tanto é necessário que os jogadores assinem os respectivos documentos. É aí que começa o erro. A maioria acaba cedendo aos caprichos dos dirigentes e autoriza dando sinal positivo mesmo sem a suposta dívida paga.

Inocentes úteis acreditam nas promessas.

E para eles, que são incentivadores indiretos da picaretagem, as notícias que chegam dos bastidores não são boas.

O blog apurou que por conta da pandemia de coronavírus a CBV, sem assumir publicamente, não será rígida e não vai exigir temporariamente a Declaração de Regularidade Financeira.

Os oportunistas de plantão vibram.

Sendo assim nenhum clube, ou aqueles que sobrarem no mercado, estará impedido de jogar a próxima edição da Superliga.

A pandemia, trágica e verdadeira, é e será usada como justificativa para o não cumprimento das obrigações, ainda que tenha ‘surgido’ originalmente em meados e março.

É preciso separar as coisas: uma é entender a dificuldade de determinadas empresas, leia-se clubes, de arcar com as despesas depois de março. Algo perfeitamente compreensível e aceitável. Livre negociação dos débitos com os jogadores dos meses restantes. Outra coisa é se aproveitar da pandemia, e não são poucos os casos, para não pagar 5, 6 e até 7 salários.

É o conhecido e famoso ‘jeitinho brasileiro’.

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