De partida para a Itália e prestes a ser pai, Simon se defende: ‘Não penso só em dinheiro. Avisei o Cruzeiro e não me deram atenção’.

De partida para a Itália e prestes a ser pai, Simon se defende: ‘Não penso só em dinheiro. Avisei o Cruzeiro e não me deram atenção’.

Bruno Voloch

04 Julho 2018 | 08h33

Robertlandy Simon quebrou o silêncio e falou com exclusividade ao blog.

O jogador está em Miami, nos Estados Unidos.

Nessa entrevista exclusiva, Simon diz que os dirigentes do Cruzeiro foram avisados que ele não permaneceria no clube e que o nascimento da filha, previsto para setembro, foi determinante para a decisão de sair do BRASIL. Simon e a mulher Camila Colnaghi querem que a filha nasça na Itália.

Simon não esconde o carinho que tem pelo torcedor mineiro. Diz que se doou ao máximo e que esperava compreensão do clube, o que, segundo ele, não tem acontecido.

Como surgiu o interesse do Lube na sua contratação?

Acredito que minha atuação na última temporada passada chamou atenção de muitos times do cenário mundial tanto que recebi algumas propostas. Não estava pensando em sair do Cruzeiro mas agora é diferente. Sobre o Lube, só o Lube pode responder.

Por que você quer jogar na Itália?

Qual jogador não gostaria de jogar na Itália? Eles possuem o melhor e mais equilibrado campeonato do mundo, mas devo dizer que as minhas necessidades também são pessoais. Gostaria que a minha filha nascesse e adquirisse a nacionalidade europeia.

O que contribuiu para sua decisão de querer sair?

Há muitas coisas envolvidas. Eu já tinha decidido voltar para à Itália a partir de 2019 mas também aconteceram problemas com o meu contrato. O nascimento da minha filha e o início de um ciclo novo no Cruzeiro com o lançamento de muitos jogadores têm um peso muito grande.

Você tem conversado com os dirigentes do Cruzeiro? É justo eles exigirem a multa?

Falei claramente com o Cruzeiro há algumas semanas sobre o meu desejo de sair mas não me deram a devida atenção. Há coisas que são mais importantes para uma pessoa do que uma multa, como a motivação familiar e pessoal. Eu amei o Sada/Cruzeiro, dei tudo por esta camisa e esperava muito mais compreensão, mas eles só enviaram ameaças. Você me pergunta se a multa está certa? São questões legais que não posso responder. Creio que pessoas inteligentes sempre chegam a uma solução. Eles sabem que minha intenção é não voltar e também conhecem os problemas contratuais.

E Cuba como fica nessa história?

Eu e Cuba não temos mais nenhum laço desde a minha saída do país.

Como seria poder jogar ao lado do Leal novamente?

Espero poder jogar não só ao lado de Leal como de Juantorena uma vez que são grandes jogadores e qualquer um gostaria de jogar ao lado deles.

A torcida do Cruzeiro acusa você de só pensar em dinheiro. O que diz?

Saí de Cuba em busca de um sonho e agora não é diferente. Não penso só em dinheiro mas sim na minha carreira como atleta e me sentir bem no time em que estou jogando. Sinto que já dei tudo que podia dar ao Cruzeiro e agora busco um novo objetivo. Todos devem entender que quando escolhi o Sada não foi a oferta econômica mais importante, mas sim o que mais me satisfez no âmbito  familiar. O mesmo para a escolha que fiz anos atrás. Eu não vou para a equipe que me paga mais e sim quero ir para o time mais forte do mundo no momento e estar em um país onde minha filha e minha família possam viver e crescer bem. Lamento ler que o Cruzeiro se surpreende ao saber das novidades pois isso não é realidade. Eles sabem da minha vontade há muito tempo e só falaram de pagar a multa.