Duda, ex-Minas e ‘segundo’ que deu certo, decola na carreira solo e revela preconceito com Lavarini

Duda, ex-Minas e ‘segundo’ que deu certo, decola na carreira solo e revela preconceito com Lavarini

Bruno Voloch

03 de janeiro de 2020 | 08h03

2020 começa hoje para a maioria dos clubes.

É quando os jogadores se reapresentam da folga de fim de ano. E se a Superliga terminasse hoje, Curitiba estaria classificado para os playoffs da competição.

O projeto do clube é um bons exemplos no país, como Bauru e Barueri. Não burlou regras, veio de baixo como determina o regulamento e sólido, se mantém firme apesar do orçamento limitado.

Um dos responsáveis pela continuidade e crescimento é o técnico Duda, ex-Minas, boa aposta e escolha interessante de uma diretoria sempre presente e muito profissional, como o próprio treinador enaltece nessa entrevista ao blog.

Duda fala da convivência e aprendizado com Lavarini no Minas, do ligeiro preconceito com técnicos estrangeiros, da falta de títulos nas categorias de base, da coragem para tocar a carreira solo e admite ser um representante da nova geração.

Por que você trocou o Minas, onde foi campeão como assistente, por Curitiba?

Já venho me preparando faz um bom tempo para ser técnico e, independente do título, era o momento de seguir meus objetivos e enxerguei no Curitiba uma ótima oportunidade.

Quando o profissional entende que é o momento de investir na carreira solo?

No meu caso foi por ter a segurança de ter investido em estudos, tempo, experiências e pelos trabalhos anteriores terem me dado o alicerce para poder dar o próximo passo.

Por que tem gente não acontece, como no próprio Minas, e volta para assistente?

Talvez a necessidade pessoal e a sensação de segurança de ser o segundo faz com que essa posição seja mantida. São vários os fatores que culminam para que a ascensão de assistente para técnico dê certo. Ter o apoio e a paciência de quem dirige, ter o apoio e a cumplicidade das atletas e claro que também, apesar de achar que o trabalho não se mede apenas pelos resultados, apresentar bons resultados faz com que a transição seja natural.

O que você pode falar desse projeto de Curitiba?

Um projeto que tem tudo para ser duradouro e vitorioso. Uma cidade que ama o voleibol. O Curitiba está no começo ainda, estando apenas no segundo ano da elite da Superliga e como todo projeto que está no começo necessita de mais apoio de parceiros para que continue no caminho. Hoje temos como grande gestora a Gisele Miró e a parceria com a Universidade Positivo que nos proporciona toda a estrutura e esse caminho do esporte junto à educação.

Você se considera um representante da nova geração?

Trabalho com voleibol já faz um tempo. Boa parte da minha trajetória foi na base participando na formação de diversas atletas que figuram hoje na Superliga. Então, sim, me considero um técnico da nova geração assim como outros bons técnicos que estão surgindo.

Como conhecedor das categorias de base, como você vê esse momento de jejum, falta de renovação e títulos?

O fato de passar um período sem títulos pode ter, mas pode não ter relação com o trabalho. São diversos fatores que levam aos títulos. O Brasil é um país muito rico em diversidade e acredito que são muitos os caminhos para continuarmos revelando grandes atletas.

Por que existe preconceito em relação a presença de técnicos estrangeiros no Brasil?

Quando trabalhei na última temporada com o Stefano acabei sentindo através dele esse suposto preconceito. Acredito que não seja uma linha de pensamento e sim uma coisa mais individual. Digo isso porque não senti de todos, mas apenas de alguns.

O que você mais aprendeu durante o tempo de parceria com Stefano Lavarini?

O nome parceria acredito que seja o mais correto para esse período que trabalhamos juntos. A nossa forma de trabalho combinou muito, a troca foi muito enriquecedora. Ter o contato através do Stefano do que é realmente a cobrança e a excelência da busca pelo mais alto nível de treinamento e jogos para a busca de resultados, doa a quem doer, foi com certeza o que mais marcou.

O Duda é um discípulo dele?

Discípulo acho que não. É muito forte. Amigos que trocaram muitas experiências e talvez um dia trabalhem juntos novamente

 

 

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