Eliminação, decadência e crônica de uma tragédia anunciada

Eliminação, decadência e crônica de uma tragédia anunciada

Bruno Voloch

17 de julho de 2015 | 16h48

Nada é por acaso. Tudo que começa errado termina errado.

A filosofia da comissão técnica da seleção brasileira masculina entra definitivamente em xeque.

Os métodos, comprovados pelos últimos resultados, não são contestados de hoje. Basta voltar a fita.

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A seleção parou. A sina de vice deu lugar a vexatória eliminação dentro de casa na Liga Mundial.

O BRASIL se superou. Deixou de ser vice e agora não figura nem nas semifinais.

Dessa vez não dá para culpar ninguém e nem fatores extra-quadra.

Bernardinho morreu abraçado a política, teimosia e os intocáveis. Assim  acontece desde a olimpíada de Londres em 2012.

O vôlei brasileiro paga um preço caro.

A França e os Estados Unidos não podem ser culpados. O regulamento muito menos. Era só o que faltava.

O BRASIL, depois do papelão que fez no mundial de 2010, quando entregou o jogo para a Bulgária, ‘dia da vergonha’, não pode reclamar de rigorosamente nada. Moral zero.

O ‘se’ não joga, mas se a seleção não tivesse desistido do quarto set contra a França e mantido a regularidade também no quarto set contra os Estados Unidos, a diferença seria outra.

Fato é que 5 anos depois, não faltou apenas bola para a seleção.

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Planejamento errado, convocações precipitadas, cortes equivocados e alguns jogadores nitidamente ‘jogando’ apenas com o nome.

Isso sem falar na quantidade de atletas ‘estourados ‘ desde 2012. Sidão foi a vítima da vez. Wallace idem.

Abuso nos treinos e os jogadores sendo sugados ao extremo.

Dentro de quadra o melhor levantador não joga. Rapha foi cortado. Bruno segue intocável.

O que era visível para o mundo do vôlei só se tornou perceptível para Bernardinho no jogo contra os Estados Unidos. O técnico foi ao limite com Murilo que não pode mais ser titular da seleção. No máximo consegue entrar para passar.

Bernardinho relutou em aceitar a realidade e talvez pudesse ter preservado o próprio jogador e a seleção da eliminação vergonhosa no Rio de Janeiro se tivesse agido com profissionalismo.

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Agora é tarde. O ano de 2015 acaba e a seleção segue em jejum. Não ganha mais nada.

Algo precisa ser revisto em breve.

Caso contrário o BRASIL corre sério risco de passar pela mesma situação constrangedora daqui a um ano nos jogos olímpicos.

Outro Lucarelli será complicado aparecer.

É bom ressaltar, sejamos justos, que nada apaga o passado vitorioso do treinador e de determinados jogadores. Mas é passado.

Conjugando presente, alguém precisa pagar a conta, ser cobrado e assumir a responsabilidade.

O BRASIL parou.

 

 

 

 

 

 

 

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