Goncharova, estrela da Rússia, quebra protocolo e concede entrevista exclusiva

Goncharova, estrela da Rússia, quebra protocolo e concede entrevista exclusiva

Bruno Voloch

28 de julho de 2015 | 08h48

Quebrado protocolo.

Nataliya Goncharova, enfim, concordou em falar.

Ucraniana de nascimento, Nataliya é uma das jogadoras mais valorizadas do vôlei mundial. Beleza fora de quadra e qualidade de sobra com a bola nas mãos.

O blog entrevistou Nataliya durante o Grand Prix em Omaha, Estados Unidos.

Simples, diferente do que é dito, a jogadora exigiu somente um bom café. Entrevista que demorou dois dias por causa dos treinos e horários que deveriam ser cumpridos pela atleta.

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Aos 26 anos e campeã mundial em 2010, Nataliya falou da rivalidade com as brasileiras, de beleza, do atual estágio da Rússia, sonhos, momentos marcantes e o que curte fazer nas raros momentos de folga.

É verdade que vocês não gostam das brasileiras?

Não é questão de gostar ou não. Elas nunca falam com a gente no hotel. Não dão bom dia, boa tarde e boa noite, então temos que tratar como somos tratadas.

Isso tudo foi criado por causa da rivalidade?

Existe sim uma rivalidade muito grande entre Rússia e BRASIL. Mas isso não é de hoje e vem de outras gerações. Nada mudou.

Por que você concordou com a entrevista já que não gosta de ser entrevistada?

Sou uma pessoa normal. Tímida. As pessoas quase não se aproximam de mim. Você fez diferente. Foi educado, devolvi. Concordei em dar entrevista pela maneira como fui abordada no hotel. Nunca havia falado antes com nenhum jornalista do BRASIL. Aliás, raramente dou entrevista. Não curto, muito menos para gente que não é do meu país. Não me sinto bem, mas já que estamos aqui vou responder tudo que perguntar.

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Como é ser considerada a jogadora mais bonita do vôlei mundial?

Isso é uma pergunta ou afirmação?

Sim, as duas coisas. Como convive com isso?

Agradeço aos meus pais. Mas isso fica fora de quadra. Minha prioridade é e sempre será o vôlei. Não misturo as coisas em hipótese nenhuma.

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Já trabalhou como modelo?

Sim. Na Rússia já fiz sim algumas fotos, mas nada que tire o foco das quadras.

A sua beleza incomoda as pessoas?

Olha se alguém confunde as coisas eu não sei. Se existe ciúmes muito menos. Sou igual a todas as jogadoras. Não tenho tratamento diferenciado por ser mais ou menos bonita que alguma jogadora. E nem poderia.

A Gamova voltará a jogar pela seleção na Copa do Mundo em agosto?

Não sei. Essa pergunta você deveria fazer ao Yuri (Marichev, técnico da seleção).

O time joga melhor atualmente sem a presença dela entre as titulares …

Respeito sua opinião.

E se ela voltar?

Continuarei dando 100% e sempre o meu máximo em quadra, com ou sem ela.

Sokolova é outra que pode retornar. O que você acha?

Acho que seria muito bom. É uma jogadora experiente e de passe. Vai ajudar.

A Goncharova é hoje uma das melhores jogadoras do mundo?

Você diz isso? Que bom. Fico feliz,mas não me considero ainda uma das melhores do mundo.

O que você pode falar do desempenho da Rússia, medalha de prata, no Grand Prix?

A gente fez um bom Grand Prix. Essa medalha siginifica muito para todo o grupo. Fizemos alguns bons jogos, mas ainda temos que evoluir pensando na Copa do Mundo. Acho que ninguém esperava nada da Rússia e nós surpreendemos.

Natalia-Goncharova

A Rússia confirmou que Kosheleva irá treinar para a Copa do Mundo.

Uma curiosidade. Como o Marichev se sustenta no cargo de técnico?

Ele é o técnico e eu sou uma das jogadoras (ri alto).

Nos bastidores se comenta que o ambiente não é bom …

Não posso responder isso (visivelmente sem graça).

Qual foi sua partida inesquecível?

Foi o campeonato europeu que ganhamos em 2013. Foi uma final inesquecível contra a Alemanha. Jogo que não sai da minha memória,

E o sonho?

O ouro olímpico no ano que vem.

Como é a Nataliya fora de quadra?

Adoro ir ao cinema, passear com meu cachorro, tenho um sharpei. Sou uma mulher normal.

Você aceitaria jogar no vôlei do BRASIL?

Sim, se a proposta for boa financeiramente não vejo motivos para não jogar no BRASIL.

 

 

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