Júlia Bergmann, campeã sul-americana juvenil, deixa o BRASIL e vai para os Estados Unidos: ‘Vôlei de base não foi valorizado como deveria’.

Júlia Bergmann, campeã sul-americana juvenil, deixa o BRASIL e vai para os Estados Unidos: ‘Vôlei de base não foi valorizado como deveria’.

Bruno Voloch

22 Outubro 2018 | 08h46

O vexame no Japão não foi suficiente e o vôlei feminino do BRASIL continua andando para trás.

Enquanto o mundial consagrou a sérvia Boscovic, 21 anos, e viu a afirmação da italiana Egonu, 19, o BRASIL, sétimo colocado parou no tempo.

Pior que isso. Começa a perder seus raros talentos.

Uma das estrelas da seleção juvenil que acaba de conquistar o sul-americano da categoria em Lima no Peru, vitória por 3 a 2 contra a Argentina, está de malas prontas para os Estados Unidos.

Sem oportunidades no BRASIL, Julia Bergmann, 17 anos, ponteira passadora de 1,91m, vai ingressar na Universidade Georgia Tech, Atlanta.

A maturidade dela impressiona.

Alemã de nascimento, ela vai estudar e tentar conciliar os estudos com o vôlei.  Julia, raro talento, teve poucas oportunidades por aqui e só atuou em Toledo e Brusque.

Você  é considerada por todos os treinadores da base do Brasil um dos maiores talentos. Por que a opção de sair do  país?

Acho importante estudar, ter a experiência de jogar em outro país e aprender outro idioma.

Você vai estudar e conciliar com o vôlei ou vai abandonar o esporte?

Quero continuar jogando com certeza e acho que não vai atrapalhar minha carreira. Pode até abrir novas portas.

O Sul-Americano do Peru foi sua despedida da seleção?

Espero que não. Quero muito que chegar na seleção adulta e disputar uma olimpíada e campeonatos mundiais.

Por que o vôlei do Brasil tem encontrado tantas dificuldades nas categorias de base? Por que não somos mais referência como no passado?

Acho que o vôlei de base nos últimos anos não foi valorizado como deveria principalmente nos estados de menos visibilidade no esporte. Sem alguém que incentive as crianças a praticar o vôlei não vai para frente. O incentivo de pais e professores e indispensável nesse quesito.

Você acha que poderia ter sido mais aproveitada por aqui?

Acho que minha hora vai chegar e tenho muito o que evoluir ainda.

Por que os demais países arriscam e colocam jovens em quadra como você para jogar na respectivas seleções adultas? Vimos esse exemplo agora no mundial?

Acho importante sim que jogadoras novas comecem a fazer parte das seleções adultas. A mistura de experiência e juventude já deu certo em vários momentos.

Qual a idade certa para se cobrar de fato resultado das jogadoras que saem da base?

Acho que depende muito do desempenho da jogadora, mas a maioria das atletas começa a ganhar visibilidade nas categorias infanto e juvenil onde ingressam também nos times adultos da superliga.