Karch Kiraly, campeão do Grand Prix, afirma:`Jamais entraria em quadra para perder. Não é nossa cultura’.

Karch Kiraly, campeão do Grand Prix, afirma:`Jamais entraria em quadra para perder. Não é nossa cultura’.

Bruno Voloch

27 de julho de 2015 | 06h14

Omaha, EUA.

Karch Kiraly é unanimidade no vôlei mundial.

Exemplo de atleta e treinador. Dentro e fora de quadra. Referência.

Bicampeão olímpico em 1984 e 1988 pela seleção dos Estados Unidos, Kiraly repetiu a dose nos jogos de Atlanta em 1996 na praia ao lado Kent Steffes. Único.

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Assumiu a seleção feminina do país após a olimpíada de Londres. Dois anos mais tarde, Kiraly dava ao país o inédito título mundial na Itália.

Campeão do Grand Prix, Kiraly falou com exclusividade ao blog:

Você é considerado um cara diferenciado. Unanimidade no esporte. Como encara esse rótulo?

Não me acho diferente. Se eu sou uma referência, como você diz, isso só aumenta minha responsabilidade como pai e como técnico da seleção dos Estados Unidos. Procuro ser leal aos meus princípios de vida, ética e moral, respeitando para ser respeitado.

A França, campeã da Liga Mundial, foi uma surpresa?

Não me surpreende em nada. A França trabalhou para isso. Partiu do grupo 2 e ganhou do BRASIL na bola. Perdeu uma partida em toda a competição, sendo assim, não se pode questionar o título.

Mas ninguém poderia imaginar …

Depende do ponto de vista. Já vimos seleções fazerem sucesso no passado e me lembro da Argentina na década de 80. A própria França tinha uma boa seleção. Estudo, lado físico, intercâmbio e base fazem a diferença. O vôlei mudou muito. Pontuação, tempo de jogo, líbero, desafio, entre outras coisas.

Karch+Kiraly+USA+v+Brazil+FIVB+Women+World+9VGqVhO2ss7l

O vôlei sofreu tantas mudanças mas o regulamento de determinadas competições ainda dá margem para combinação de resultados. Como encara isso?

Honestamente prefiro mudar o tema e olhar as coisas positivas.

O BRASIL entregou um jogo para a Bulgária em 2010. Você faria isso?

Só estou respondendo sua pergunta por educação. Nunca entraria em quadra para perder e entregar um jogo. Me recuso. E qualquer atleta minha que imaginar isso nem precisa aparecer no dia seguinte para treinar. Tenho filhos e durmo tranquilo todos os dias. Cada cabeça pensa de uma maneira. (Kiraly faz cara de reprovação) Nós poderíamos ter eliminado o BRASIL na olimpíada de Londres, mas entramos em quadra para vencer a Turquia e assim fizemos. Perdemos para esse mesmo BRASIL na final. Não é nossa cultura.

Não se arrepende?

Nunca. Jogaria de novo para vencer.

No mundial de 2014 os Estados Unidos estavam quase eliminados quando perderam para a Itália por 3 a 0. Como foi essa transformação até o título?

A questão é como se encara a vitória e a derrota. Quando perdemos para a Itália fizemos uma reunião e disse para as jogadoras que tinha plena convicção que ganharíamos da Rússia e chegaríamos forte na semifinal. É preciso esquecer rápido a derrota. Esse é um dos segredos e trabalhar muito a mente das atletas. Se a cabeça está mal o corpo não obedece.

E a rivalidade criada com o BRASIL?

O BRASIL talvez seja o adversário que mais eu conheça. Eles também. O jogo em Verona na segunda fase não valia nada. Na semifinal jogamos muito bem taticamente, anulamos o meio do BRASIL e fizemos 3 a 0. O curioso é que em hipótese alguma tinha certeza do título. A final contra a China não foi fácil, mas penso que os Estados Unidos alcançaram o ápice na hora mais importante do mundial.

Os Estados Unidos perderam as duas útlimas finais olímpicas para o BRASIL. Existe um sentimento diferente?

Penso etapa por etapa. Precisamos primeiro nos classificar na Copa do Mundo do Japão. Depois pensamos em Olimpíada. É claro que se puder jogar uma final com o BRASIL seria maravilhoso para o esporte. Mas não podemos esquecer da Rússia, China, Itália, Sérvia, ou seja, existe um longo caminho para ser percorrido. Mas se nos derem essa chance vamos brigar.

Jordan Larson foi eleita recentemente uma das jogadoras mais completas do mundo. Ela é a melhor?

Olha, não existe a melhor do mundo. Um time de vôlei é formado por 7 jogadoras e as que estão no banco. A Jordan é brilhante. Mas sem passe e sem a ajuda das demais não seria o que é. Então não gosto dessa coisa de melhor do mundo.

O desafio tem sido usado com frequência. Em Omaha no Grand Prix não foi diferente. Você aprova?

Achei espetacular. Brilhante. Tudo que for para o bem do esporte é sempre bem-vindo. Hoje o jogo é muito rápido e os árbitros erram como qualquer ser humano. Portanto achei o desafio muito bom.

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E a conquista do Grand Prix. Algumas seleções não vieram com força máxima. Isso desvaloriza o título?

Todo o torneio nós jogamos com muita responsabilidade. Aqui não seria diferente. É preciso respeitar torcida, familiares, mídia e patrocinadores. Foi o que fizemos. Fica resgistrado na história que os Estados Unidos foram campeões.

 Você prefere trabalhar com vôlei feminino?

Não é preferir. Me foi dada essa chance como assistente primeiramente para o ciclo olímpico de Londres. Depois me convidaram para assumir a seleção como técnico. Se você se sente preparado para exercer a função não vejo motivo para não assumir. Gosto muito de trabalhar com esse grupo.

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