Keyla é exceção e liderança feminina no vôlei: ‘Minas tem uma das melhores estruturas do mundo’

Keyla é exceção e liderança feminina no vôlei: ‘Minas tem uma das melhores estruturas do mundo’

Bruno Voloch

26 de fevereiro de 2020 | 08h50

Keyla Monadjemi. Ela é a mulher forte do vôlei do Minas, atual campeão da Superliga.

Ex-atleta do clube, 43 anos, formada em publicidade e com especialização em esportes e entretenimento pela New York University,  trabalhou ainda com gestão de projetos culturais e esportivos.

A prioridade porém é o vôlei, paixão que fala alto. O sul-americano, conquistado recentemente contra o Praia em Uberlândia, foi o primeiro da temporada:

‘O tricampeonato foi muito importante para o clube. Primeiro porque nos garante em mais um mundial e claro trás confiança para o time nessa reta final da Superliga’, afirma Keyla.

A administração tem dado banho em boa parte da concorrência, que verdade seja dita, facilita. Enquanto alguns chamados supervisores se perdem em grupos e discussões nas redes sociais, no Minas o profissionalismo impera.

Aliás, para ser ter uma noção, o clube tem metade do orçamento do Rio, segundo o blog apurou cerca de R$ 13 milhões, e ainda assim se mantém entre os primeiros:

‘Não posso falar sobre o orçamento das outras equipes, mas te garanto que nosso orçamento é enxuto, precisamos trabalhar sempre no limite para otimizar ao máximo. Mas o fato do Minas dar toda a infraestrutura é um grande facilitador, além de ser um diferencial na hora de negociar com as atletas’.

História, segurança e estrutura que fazem a diferença:

‘Saber que o clube tem uma história que desde 1956 formando atletas olímpicos é muito emocionante e trás muita responsabilidade. O Minas tem umas das melhores estruturas do mundo para a prática do esporte, tanto na base quanto na ponta. Instalações modernas com toda comodidade e segurança que os atletas precisam. Mas o mais importante sem dúvida nenhuma são as pessoas. Trabalhar com tantos esportistas que fizeram história é incrível. Hoje trabalhando no esporte temos o Rogério Romero (nadador que participou de 5 olimpíadas), o Luciano Corrêa (campeão mundial de judô), Teófilo Laborne (olimpíada de 92), o Cebola (multicampeão do vôlei masculino e feminino) entre tantos outros que trabalham aqui no dia a dia. Isso trás um ambiente muito positivo. Eles sabem exatamente como funciona o dia a dia de um atleta e um time de ponta’.

Muita gente apostava na queda de rendimento após as saídas de Gabi e Natália. O Minas foi ao mercado e contratou bem mesmo  sem o mesmo poder financeiro:

‘Nenhum time fica ileso com a perda de jogadoras desse nível. Estamos falando de duas das principais ponteiras do mundo e titulares absolutas da seleção brasileira. A qualidade delas é inquestionável e faz muita diferença. Mas mantemos uma estrutura de jogo pelo menos 3 temporadas. Uma mesma base e um pensamento de vôlei mais tático. Então vamos buscar peças que se encaixem dentro dessa estrutura. No caso da Thaísa, acho que o fato da Macris ser uma levantadora que usa bastante as centrais ajuda também’.

A diretora conta como foi a decisão de liberar Deja, trazer Drobiana e os critérios para a escolha de treinador e reforços:

‘Nossa estrutura começa pela escolha do treinador. Essa decisão é minha junto com o Jarbas. A vinda do Nicola foi a opção pela continuidade de uma filosofia de trabalho, uma jogo bem tático, de velocidade que deu bem certo aqui. E o treinador, dentro do nosso orçamento e das opções de mercado, tem a liberdade de montar o time. Claro que existe uma troca do treinador, CT e diretoria. No caso específico da chegada Dobriana e a saída da Deja, tivemos a chegada da Mellita, patrocinador. Isso nos possibilitou voltar ao mercado. Minha função como dirigente é buscar as melhores condições pra manter o time competitivo. Com a chegada da Melita passamos a ter a possibilidade de trazer a Dobriana, que acreditamos, trás mais equilíbrio para equipe. Infelizmente, só podemos manter duas estrangeiras na equipe. E a opção pela Dobriana foi buscando esse equilíbrio que a equipe precisa’.

A identificação com o Minas é a parte mais fácil de explicar:

‘Sou nascida e criada no Minas Tênis Clube. Fui atleta de base do clube, apaixonada por esportes, sempre acompanhei o alto rendimento do clube, vejo minhas filhas aqui também. Então o Minas é como minha segunda casa’.

Keyla e Gisele, ex-jogadora de tênis e diretora de Curitiba, são as únicas mulheres na função, o que pode ser uma tendência. Cenário que ela torce para que mude em breve:

‘Espero que sim. Sinto muita falta de ver mais mulheres no alto rendimento. Não só no vôlei, mas em todas as modalidades. Precisamos de mais técnicas, assistentes técnicas, dirigentes, fisioterapeutas, enfim, acho que o esporte de alto rendimento, precisa muito da força da mão de obra feminina. Ainda é um ambiente muito masculino e espero sinceramente, que as mulheres ocupem cada vez mais o esporte’.

Por fim, Keyla enaltece a torcida e entende a cobrança pro vitórias e títulos:

A torcida é fundamental para a construção de um time. Eles são nosso consumidor final. São eles que acompanham o dia a dia, seja nos jogos da arena, seja pela televisão. Sabemos da importância deles para o fortalecimento da nossa modalidade. São eles que fazem o vôlei ser o segundo esporte do país. Então eles tem meu respeito sempre e tudo o que pudermos fazer para que eles continuem prestigiando nossa modalidade, vamos fazer. Acho que podemos evoluir muito no entretenimento dos jogos. Acho que nisso o basquete já esta na nossa frente. A torcida mineira de modo geral conhece muito vôlei. São décadas acompanhando os times masculino e feminino. Acho isso ótimo porque tem transparência e respeito, eles entendem e sabem exatamente o que cada time pode dar. E o suporte deles é fundamental para criar uma atmosfera de receptividade e confiança para as atletas. A gente sabe que eles estarão sempre lutando junto com o time. A cobrança faz parte, assim como no respeito de ambos os lados.

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