Marcos Kwiek: ‘Olimpíada é o auge para o técnico e voltamos aos jogos por nossos méritos’.

Marcos Kwiek: ‘Olimpíada é o auge para o técnico e voltamos aos jogos por nossos méritos’.

Bruno Voloch

14 de janeiro de 2020 | 08h40

Foi um fim de semana inesquecível para Marcos Kwiek.

O técnico brasileiro escreveu seu nome na história do vôlei da República Dominicana ao classificar a seleção para os jogos olímpicos de Tóquio. Pela segunda vez.

Respeito, reconhecimento, admiração e principalmente confiança que passam pelo presidente do país, dirigentes, jogadoras e torcedores.

Aposta que deu certo e parceria que dura mais de 10 anos, desde 2008 quando foi contratado e mudou o status do vôlei feminino do país, hoje conhecido mundialmente.

Aos 52 anos, ele não esconde a emoção de poder novamente estar numa olimpíada. Nesse papo com o blog, o treinador falou da sensação após a classificação, da frustração de 4 anos atrás, dos grupos em Tóquio e do especial confronto com o BRASIL.

Marcos Kwiek e República Dominicana encaminharam renovação até Paris 2024 e a confiança no trabalho dele é tão grande que o planejamento inclui Los Angeles 2028.

Qual a emoção e sensação de classificar o país para a Tóquio 2020?

Foi simplesmente maravilhoso, sensação única. Voltamos um pouco tristes após aquela derrota para o BRASIL no ano passado por 3 a 2 mas a gente sabia que merecia. Reconstruimos rapidamente e o país se mobilizou para esse pré-olímpico desde as autoridades até os torcedores. Foram quase 10 mil pessoas no ginásio, a rivalidade histórica com Porto Rico e respondemos fazendo na terceira partida nosso melhor jogo no torneio ganhando por 3 a 0.

A classificação apaga um pouco a frustração de 2016 quando ficou fora do Rio?

Não é apagar a frustração. O sistema naquela ocasião foi injusto. Era a regra do jogo, mas fomos íntegros e honestos com o esporte. A gente poderia muito bem ter ficado em terceiro, entregado o jogo e trazido para a Dominicana o pré-olímpico com seleções da África e América do Sul. Mas não. Preferimos o caminho correto. Ficamos em segundo perdendo para os Estados Unidos, jogamos a repescagem no Japão e ficamos fora. Mas isso é passado. Agora fizeram um sistema mais justo e voltamos por nossos méritos aos jogos olímpicos.

O que representa para você como profissional estar em mais uma olimpíada?

Como profissional é motivo de muito orgulho. É o auge para qualquer técnico e atleta. E estarei na minha segunda olimpíada, enorme recompensa e reconhecimento por todo trabalho desenvolvido aqui.

Já planejando Tóquio, o que achou do grupo da Dominicana?

É complicado falar disso e não dá para fazer previsão. Olimpíada é momento, hora certa, momento certo. Tudo tem que conspirar a favor na época. São só duas semanas. É preciso planejar. Meu time é novo, já tínhamos a base para o Rio há 4 anos e apenas 4 jogadoras acima dos 30. A VNL é longa e desgastante e não tenho tantas peças de reposição como outras seleções. Aqui não tem essa de seleção a, b ou c. Não posso cometer erros e chegar com a seleção esgotada em Tóquio.

O time passa?

Complicado falar. É um grupo bem interessante, forte, nossa ideia é chegar para a segunda fase e jogar de acordo com o que teremos pela frente. Literalmente jogo a jogo e pensar nos adversários do outro lado também conforme a gente for andando. É claro que quero ser campeão, mas em olimpíada é jogo a jogo. Não pode ser diferente.

E o confronto com o BRASIL ?

É especial. São sempre jogos nervosos porque nos conhecemos muito. Eu sei delas e elas sabem de mim, o que vale para a comissão técnica também. Mas é meu país e sempre tem um plus a mais. BRASIL não importa o momento. Tem muita tradição e é um dos favoritos.

Em 2012 a seleção parou nas quartas. Pode ir além?

Temos quase o mesmo time e mais amadurecido. As meninas hoje estão mais rodadas e com boa bagagem. As mais novinhas jogaram mundiais, Grand Prix e VNL, ou seja, ajuda nesse intercâmbio. Espero pelo menos fazer um papel semelhante ao que fizemos em 2012 e que seria espetacular para a Dominicana.

Você continua após os jogos olímpicos? Seu contrato será renovado?

Eu me sinto muito bem aqui. Valorizado e reconhecido. Tenho uma história construída nesse país e a renovação praticamente certa para Paris 2024. Planejamos tudo com muita antecedência. O presidente me apoia, jogamos muito limpo, sou franco, direto e ele gosta da minha maneira de agir dentro e fora de quadra. Importante é que estou feliz e eles comigo. Para se ter uma noção já comentamos até como será 2028 em Los Angeles mas vamos ano após ano. Sou um profissional, tudo se conversa, estudo convites de clubes que eventualmente surgem e se gente conciliar com a seleção não vejo problema. Hoje meu compromisso é a República  Dominicana.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.