Marcos Kwiek, técnico da República Dominicana, fala em salto de qualidade e aponta VNL como produto do futuro.

Marcos Kwiek, técnico da República Dominicana, fala em salto de qualidade e aponta VNL como produto do futuro.

Bruno Voloch

30 Agosto 2018 | 08h08

A VNL veio para ficar.

Segundo o blog apurou, os números da primeira edição da competição foram plenamente satisfatórios e registrados com entusiasmo pela FIVB, Federação Internacional de Vôlei.

Recentemente, em rara iniciativa, a FIVB convidou todos os técnicos envolvidos no torneio para visitar a sede da entidade na Suíça e ouvir a opinião de cada sobre o torneio que substituiu a Liga Mundial e o Grand Prix.

O brasileiro Marcos Kwiek, técnico da República Dominicana, falou com o blog e confirmou as informações.

Você foi um dos técnicos que esteve recentemente na sede da FIVB debatendo a primeira edição da VNL. Considera o sistema de disputa da VNL (todos contra todos) o melhor e mais justo?

Estive presente e comigo estavam o técnico da seleção feminina da Bélgica e da masculina da Austrália. Outros treinadores participaram via áudio conferência. Achei a iniciativa da FIVB muito válida. Ouvir de fato e dar voz para a gente. É algo inovador. Eles falam, eles ouvem. É o modelo ideal para qualquer competição. Uma coisa é ouvir e outra é levar em consideração o nosso lado. A sensação que ficou é que consideram sim fundamental as nossas conclusões. Quanto ao sistema de disputa acho muito justo, não repetimos jogos, fazemos 15 partidas internacionais de ótimo nível contra escolas diferentes, muito estudo e trabalho o tempo inteiro.

A premiação em dinheiro igual pela primeira vez na historia para homens e mulheres colocou a VNL em outro patamar?

Sem dúvida e acho justíssimo. Tem que ser assim. É o mesmo esporte, portanto nada mais natural. Feminino e masculino se equivalem com estrelas dos dois lados e público para as duas categorias. O que a FIVB poderiam rever são os dias de jogos. O feminino jogou terças, quartas e quintas, o masculino entrou em quadra no fim de semana. É uma coisa que poderia ser mais equilibrada.

Pelo que tem sido visto e falado a FIVB pretende de fato transformar a VNL em um grande evento. O que você pensa sobre o assunto?

É o produto do futuro. A VNL é um evento muito organizado com ampla divulgação, marketing, visualização das placas nas quadras com modelo igual em todos os países e os uniformes das seleções ajudam na identificação dos jogadores. É um produto que pode crescer muito e para que isso aconteça terá que se fortalecer também fora de quadra visando o bem-estar dos atletas.

Você não acha que baseado no investimento feito as seleções deveriam jogar sempre com força máxima valorizando o produto onde elas são as estrelas?

Os técnicos, jogadores e federações precisam ter essa leitura. É uma competição séria, que paga um bom dinheiro para os participantes e de investimento pesado. A FIVB porém tem que ler o outro lado. Para a gente poder levar as melhores jogadoras o calendário precisa estar totalmente adequado. Não dá para sair do clube direto para a seleção porque ninguém aguenta e o resultado acaba sendo ruim em termos físicos para os envolvidos. Seleção e clube teriam que ter calendário único sempre priorizando a saúde e a VNL precisa disso. O caminho é esse. Unificar.

Segundo consta, e foi mostrado na reunião realizada na sede da FIVB na Suíça, a atenção da mídia em geral para o evento está progredindo a passos largos e que a intenção é fazer de atletas e treinadores verdadeiros ídolos e referencias para as futuras gerações. Como vocês podem ajudar?

Nossa responsabilidade é muito grande e dos atletas maior ainda. Foi um enorme salto de qualidade se a gente comparar a VNL com Grand Prix e Liga Mundial que saíram de cena. O que nós precisamos primeiro é ajudar a FIVB a resolver essa questão do calendário onde as meninas saem dos clubes direto para a seleção sem folga. Acho que jogar 15 jogos em 30 dias é pesado ainda mais com tantos deslocamentos, mas esse segundo ponto penso que a gente acaba se adequando desde que exista uma sincronia entre as federação e a FIVB. Acho que todos, sem exceção, queremos o crescimento do vôlei e nenhum esporte sobrevive sem ídolos e referências.

A primeira edição da competição chegou ao fim com Rússia e Estados Unidos ficando com o título no masculino e feminino respectivamente. O BRASIL fracassou nos dois naipes terminando apenas na quarta colocação.