Na Europa, Romeu encontra valorização profissional e fala da falta de reconhecimento no BRASIL.

Na Europa, Romeu encontra valorização profissional e fala da falta de reconhecimento no BRASIL.

Bruno Voloch

21 de janeiro de 2019 | 10h22

Ele é mais um entre tantos brasileiros espalhados pelo mundo afora.

Outro que resolveu arrumar as malas por causa da instabilidade das empresas, dos times no BRASIL e a consequente falta de oportunidade.

Romeu Beltramelli, 61 anos, já trabalhou nas seleções de base, esteve envolvido em projetos grandes nas cidades de Campinas e nos extintos Araraquara e Santos. Viveu os áureos tempos do BCN/Guarujá.

Só que como muitos profissionais, jamais teve a oportunidade de se firmar, como ele mesmo afirma nessa entrevista.

Há 10 anos na Europa, Romeu diz que finalmente se sente valorizado na Suíça onde atualmente dirige o VBC Glanoria. Ajudou a desenvolver o esporte no país.

O técnico explica a opção pela Suíça, fala da crise nas categorias de base do BRASIL, pede paciência, diz que as demais seleções evoluíram e que o intercâmbio faz toda a diferença.

Por que você optou em deixar o BRASIL há mais de 10 anos?

Eu sempre tive vontade de em algum momento da minha carreira vir trabalhar na Europa e essa oportunidade apareceu com minha saída da Wizard-Campinas.

Você acha que nunca teve reconhecimento merecido aqui no BRASIL?

Acho. Participei de estruturas que cresceram ao longo do trabalho mas que nunca tiveram o aporte financeiro necessário para concorrer com as mais fortes. Quando trabalhei em uma equipe com esse aporte financeiro não fui o primeiro técnico e quando achei que teria essa oportunidade, ela não veio.

Isso explica outros técnicos brasileiros terem seguido o mesmo caminho?

Acredito sim, no meu caso foi situacional. A oportunidade apareceu em bom momento e eu aproveitei.

Por que a Suíça como opção?

Porque fui indicado pela Cassia Weibel, ex-atleta que trabalhou comigo na seleção brasileira infanto em 1993.

Como você vê a crise que assola as categorias de base do vôlei brasileiro?

Nós temos a cultura de bom trabalho igual a bons resultados, do ganhar sempre. Aprendi por aqui que nem sempre um bom trabalho significa ter um bom resultado. O BRASIL ainda é uma referência e por ter vencido muito em todas faixas etárias foi muito observado, estudado e copiado. Hoje equipes de base que antes não tinham o mesmo volume de trabalho que o BRASIL além de possuir o mesmo volume ou quase o mesmo, tem um intercâmbio muito grande. Vejo que precisamos ter paciência com nossas gerações menos talentosas pois mesmo estas podem revelar alguns atletas vencedores.

Quem são os responsáveis?

Falar que não temos cultura esportiva é chover no molhado. Acredito que todos segmentos tenham responsabilidade por esse momento, inclusive estabilidade social. Os clubes formadores necessitam de investimentos que não podem depender do ‘’humor’’ do investidor porque ele deve ser continuo e não dependente dos resultados. As escolas necessitam ser a grande base de todos esportes e para isso precisam serem estimuladas a contribuir de maneira mais efetiva. Aliado ao investimento não suficiente da educação, temos os vários programas existentes hoje no Brasil, que sempre sofrem cortes e nem sempre se destinam a origem do problema: a massificação.

Qual é a saída para que o BRASIL volte a ser um país vencedor e seja referência no esporte como no passado?

No meu ponto de vista o BRASIL ainda continua sendo um país vencedor e referência no esporte. Se formos aos rankings da FIVB atualizados respectivamente no adulto em outubro 2018 e nas categorias de base em janeiro de 2019 estamos entre os quatro melhores do mundo em todas faixas etárias com exceções nas U18 mulheres e U19 homens. Exatamente na massificação. Acredito que precisamos fazer mais intercâmbios , pois da troca de experiências surgem novas ideias que adaptados a nossa realidade e cultura podem trazer bons frutos.