‘Não existe seleção imbatível. Acabou o mito’, diz Marcos Kwiek, técnico da República Dominicana

‘Não existe seleção imbatível. Acabou o mito’, diz Marcos Kwiek, técnico da República Dominicana

Bruno Voloch

04 de setembro de 2015 | 12h19

A Copa do Mundo termina no próximo domingo no Japão. E deixa lições.

O blog conversou com o brasileiro Marcos Kwiek, técnico da República Dominicana, que teve a oportunidade de enfrentar as principais forças do vôlei mundial.

Marcos foi cria de José Roberto Guimarães e fez parte da comissão técnica da seleção brasileira antes de ser chamado para dirigir a República Dominicana.

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Conquistou a torcida e os dirigentes dominicanos, mudou e transformou o esporte do país, hoje respeitado mundialmente.

O que mais chamou atenção nessa Copa do Mundo?

A Rússia e a China. As duas seleções estão muito fortes. A China perdeu a capitã, uma jogadora importante, mas tem um time alto, duas ponteiras muito rápidas e é uma equipe que vai dar muito trabalho. A Rússia está ajustada também. Goncharova e Kosheleva desequilibram. Craques. Estão passando melhor, sacando demais e um bloqueio pesado.

China e Rússia se enfrentam no sábado e quem vencer se classifica para a Olimpíada. Quem ganha?

Difícil dizer. Muito equilíbrio. A China defende mais e a Rússia ataca muito em todas as posições. Não tem favorito mesmo. Deve ser um jogo decidido em detalhes. A China embora tenha um time mais novo não sente pressão. A Rússia ganhou muita moral com os 3 a o contra os Estados Unidos. Não dá para apostar. Eu gostaria que a Rússia ganhasse porque nos ajudaria nos próximos classificatórios.

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E os Estados Unidos? Como explicar?

Ficou claro que não existe time imbatível. Acabou o mito. É óbvio que o Kiraly tem um timaço nas mãos e eles continuam fortíssimos, mas não são invencíveis. A Rússia matou os Estados Unidos no saque e no bloqueio. A Lowe e a Hill sentiram a responsabilidade e estavam assustadas. O perigo é que certamente após a provável não classificação a seleção virá ainda mais forte. É ruim para a gente, mas não temos o que fazer.

Por que diz isso?

Os Estados Unidos fora terão que jogar o classificatório da Norceca e nesse caso serão nossos adversários em janeiro no Pré-Olímpico. Uma seleção somente entre 4 vai se classificar para a Olimpíada. Nós, Estados Unidos, Porto Rico e talvez Cuba, dependendo de um torneio que acontecerá mês que vem no México. Vamos lutar e se ainda assim não conseguirmos a vaga teremos o pré-olímpico mundial com os times da Europa (por isso a torcida pela Rússia) e da Ásia. Sem a Rússia em tese as coisas são menos complicadas. Será a última oportunidade.

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E o que dizer da Sérvia, surpresa da Copa do Mundo?

Mesmo faltando dois jogos pode cravar que a Sérvia está dentro. É um time com muitas variáveis, ótima levantadora, oposta corajosa,  ponteiras boas de bola e altas. A Sérvia deixou de ser promessa e virou realidade. Isso é fato. Time corajoso e com duas centrais fortes. O técnico tem banco e opções para mudar a partida, o que tem um peso decisivo.

E a Rússia sobreviveu sem a Gamova? É isso?

Sim. Mas acho que ela pode voltar. É um problema do Marichev e outro para os adversários. Hoje a Goncharova e a Kosheleva estão voando e não podem sair do time. A Gamova pode ser uma baita opção no banco. Imagina? Quem tem essa opção no mundo? Numa inversão? Ninguém. Certo é que as 3 juntas não jogam porque a seleção fica sem passe. Agora se a Sokolova voltar a Rússia fica perfeita. Se eles conseguirem convencer a Sokolova de jogar a Olimpíada, a Rússia será a favorita ao ouro no Rio.

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Como você vê a diferença do BRASIL para as demais seleções?

A diferença hoje é simples. Rússia, China e Estados Unidos, e até a Sérvia, possuem peças de reposição. O BRASIL tem um time forte, mas se perde uma das centrais, por exemplo, não é a mesma coisa. Cai de jogo. O mesmo acontece nas pontas sem a Garay e a Jaqueline. Certo é que fica provado que o jogo se ganha dentro de quadra, não tem jeito. Aqui no Japão isso ficou evidenciado. O BRASIL terá que trabalhar e jogar muito se quiser ser tricampeão olímpico no Rio. Não será nada fácil.

 

 

 

 

 

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