Não tem como andar de mãos dadas com um pé atrás

Não tem como andar de mãos dadas com um pé atrás

Bruno Voloch

17 de outubro de 2020 | 09h21

Seja filtro, não esponja. Não acredite cegamente em nada.

Essa é a lição que fica para Taubaté após a perda do título estadual para Campinas.

O vôlei, como a vida, é assim. Nossa visão nos engana e nossos sentidos não são tão apurados como pensamos. Imagino como os responsáveis pelo vôlei de Taubaté devem estar se sentindo nesse momento.

Renan Dal Zotto, técnico da seleção, indicou Gabriel Cândido e Felipe Roque, segundo ele futuro jogador da seleção, e dispensou Leandro Vissoto. O marroquino, outra invenção, sequer teve sua permanência cogitada.

E nem poderia. Outra bola fora.

Lucão ficou.

Exigiu Bruno Rezende, com Rapha no elenco. Não pode trazer um levantador que não sabe jogar sem oposto.

A saída de Douglas Souza chegou a ser discutida. Renan bancou. Douglas não pode ganhar R$ 1 milhão a mais que Vaccari de Campinas.

Só aí quase R$ 3 milhões a mais no orçamento.

Paralelamente, Renan arquitetava sua saída de Taubaté, direito dele.

O nome de Javier Weber, antecipado pelo blog na época, foi o sugerido para substituí-lo, ponto positivo a favor do treinador da seleção. Único por sinal.

Weber, literalmente, não teve escolha. E não tem culpa da herança que recebeu.

Taubaté, inacreditavelmente, aceitou passivamente tudo, sem tirar nem por, que Renan pediu. E depois saiu. Só que a bomba estourou mais cedo do que se imaginava.

Perguntar é mais importante que ter a resposta, pois a pergunta pode nos levar ao resultado adequado, já respostas, nos deixam na zona de conforto. Quem é ingênuo acredita em tudo o que ouve. O contrário de ser ingênuo é ser prudente ou cuidadoso. Quem é cuidadoso só acredita no que sabe que é verdade.

Os mais experientes ligados ao projeto desde o início avisaram que os dois opostos ‘não iriam segurar’ a temporada. O que ninguém poderia prever é que Gabriel e Felipe Roque pudessem fracassar de cara. E aconteceu.

Sim, Taubaté perdeu o estadual porque não tinha oposto e contratou errado baseado no que Renan indicou.

Campinas sim.

E Vissoto, logo ele, liberado por Renan, aquele mesmo que saiu do banco para Abouba e deu ao clube o único título brasileiro de sua vitoriosa história em 2018/19.

Essa foi a única diferença.

Taubaté errou. Se não quisesse manter Vissoto, como não manteve, tinha que ter trazido um oposto mais experiente para dividir a função com os escolhidos por Renan.

Agora, será preciso humildade, dedicação e esforço daqueles que dirigem o vôlei para consertar o estrago. Analisar as possibilidades de minimizar ou, até mesmo, anular as consequências dos erros cometidos.

Acontece. Podemos ser levados ao erro por inúmeros motivos e circunstâncias alheias à nossa própria vontade.

Ainda dá tempo, antes que toda a temporada seja comprometida.

 

 

 

 

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