Nova Tandara se apresenta e assume: ‘Para mim, eu sou a melhor jogadora do vôlei brasileiro’

Nova Tandara se apresenta e assume: ‘Para mim, eu sou a melhor jogadora do vôlei brasileiro’

Bruno Voloch

12 de agosto de 2020 | 10h06

A Tandara que saiu de Osasco em 2018 não é a mesma que está voltando em 2020.

A questão não é física, muito menos técnica.

A mudança é na cabeça, na forma de agir, pensar e enxergar as coisas ao seu redor. Amadurecimento que ficou claro e chamou atenção de quem conhece a jogadora na live que fez comigo onde conversamos por quase duas horas.

Opinião própria, personalidade e firme nas respostas.

Daqui a 2 meses, Tandara completa 32 anos e descarta se aposentar tão cedo. Aliás o tema é rebatido com educação quando é constantemente colocado em pauta nas redes sociais:

‘Não vou deixar ninguém me aposentar. Quando eu sentir que não sou mais útil e meu corpo não aguenta mais, tomarei a decisão. Enquanto a resposta for positiva, a gente segue. Não entendo essa preocupação com minha aposentadoria. Eu conheço meu corpo e meu limite melhor do qualquer um’.

Quando perguntada se hoje é a melhor jogadora do BRASIL, não titubeou:

‘Eu não falo abertamente, mas acho que sou a melhor jogadora do BRASIL. E qual o problema? Se eu não me valorizar, quem irá fazer isso?’

Valorização essa comprovada a cada fim de temporada. E se engana quem pensa que foi por causa do lado financeiro que Tandara voltou para Osasco:

‘O dinheiro conta muito claro. Mas hoje tenho uma família, projetos profissionais e minha casa é em Osasco, afinal moro aqui. Isso pesa na hora de decidir. Minha filha tem os amigos da escola, meu marido o trabalho, e junto o útil ao agradável. Gosto do clube e me sinto muito bem com essa camisa’.

Ela diz que teve propostas mais vantajosas financeiramente:

‘O Rio (Flamengo) me fez uma proposta melhor. Recebi convites ainda do Praia e de Bauru’.

Voltar para o exterior faz parte dos planos de Tandara que nega oferta do Vakifbank:

‘Não recebi proposta do Vakifbank. O que digo é que irei um dia voltar para a China e tenho portas abertas por lá. Me lesionei, mas sempre fui tratada como muito carinho e respeito. Foi uma experiência maravilhosa para mim e pretendo sim retornar e jogar lá mais uma temporada’.

Por falar em China, Tandara considera as chinesas, ao lado dos Estados Unidos e Sérvia as favoritas para a Olimpíada:

‘Realmente essas seleções estão acima. Vejo a Itália no mesmo nível do BRASIL. Ainda temos um ano pela frente e precisamos treinar muito, nos dedicar ao máximo para tirarmos essa diferença em quadra. Por um lado é bom não chegar como favorito. Aliás, penso como o Zé e seria melhor a gente ter ficado no grupo mais forte’.

Na live, alguns seguidores insistiram para que Tandara falasse de Macris. Ela falou:

‘É uma ótima levantadora e pelo que tem feito merece estar na Olimpíada. Não posso me aprofundar porque quase não joguei com ela. Mas é um problema do treinador que tem ainda opções como Dani, Fabíola e Roberta’.

E o que fica? A base preocupa Tandara que pensa como Thaísa, Sheilla e Fabizona:

‘Essas meninas novinhas não pensam como a gente na época das seleções de base. Infelizmente. Falta fundamento, preparação e isso sem falar no comodismo. Vontade de ser jogadora de vôlei, coragem, investir na carreira e aprender. Eu posso dizer que aprendi desde o primeiro momento que fui chamada para a seleção com 16 anos e guardo ótimas recordações dos meus primeiros passos na adulta’.

Indagada sobre sua mudança de postura e amadurecimento, Tandara rechaçou a possibilidade de ser capitã de Osasco:

‘Não me vejo como capitã. Não fui bem quando tive essa chance uma vez. Prefiro colaborar e ajudar do jeito que sei fazer que é me cobrando sempre, cobrando e incentivando minhas companheiras da maneira que sei fazer, o que não deixa de ser liderança’.

Tandara deixou escapar que Roberta foi uma das primeiras que enviou mensagem quando soube do acerto com o clube:

‘Sim, ela me mandou mensagem e disse que iria caprichar nas bolas. Acho que Osasco está bem servido nessa posição com ela e Naiane. Mas fiz questão de dizer que não ganho sozinha e preciso da ajuda de todas em quadra. Já avisei para Bia também. Mas é preciso ter cautela nesse recomeço, afinal são 6 meses sem pegar em bola. Nunca passei por isso na vida’.

A jogadora, como não poderia deixar de ser, comentou a crise financeira e política envolvendo a CBV, Confederação Brasileira de Vôlei, clubes e jogadores:

‘É muito triste. Acompanhei as notícias e é preciso dar uma basta. É preciso que a CBV entenda que nós somos a peça mais importante dessa engrenagem, mas infelizmente não tiveram essa leitura. Não dá para trabalhar sem receber, pagar com cheque sem fundos e ver acordos sendo descumpridos perante aos nossos olhos e sem nenhuma atitude deles’.

Por fim, perguntada se a classe seria unida, a ‘Nova Tandara’ foi taxativa:

‘Vejo os homens mais unidos. Nós ainda não. São interesses paralelos, questões de vaidade que atrapalham’.

 

 

 

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