O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória

O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória

Bruno Voloch

20 de novembro de 2020 | 10h39

Não espalhe espinhos pelo seu caminho. Seu retorno pode ser descalço.

Segundo reportagem do UOL, Delano Franco, deixou o cargo de vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo. O motivo, consta a matéria, envolve a parceria do clube com Bernardinho, técnico do time feminino.

O dirigente acusa Rodolfo Landim de não cumprir acordos financeiros e comerciais no ato da assinatura do projeto envolvendo o vôlei e o futebol.

A relação é estranha. Desde o início.

Primeiro ninguém entendeu a saída da comissão técnica antiga, essa sim identificada com o Flamengo.

Articulação, até onde o blog chegou, tramada nos bastidores e operada durante a última Superliga. Jamais foi explicado, por exemplo, como se daria a divisão de custos e receitas envolvendo o clube e a empresa de Bernardinho. Sim, empresa de Bernardinho.

O Flamengo é gigante. Uma marca que não tem preço, maior do que qualquer empresa.

Rodolfo Landim está correto em valorizar o Flamengo.

O futebol é o carro-chefe. Sempre foi assim e sempre será.

A torcida que saber do futebol.

Aliás, sem os torcedores nos estádios, a receita do Flamengo diminuiu consideravelmente. Portanto, nada mais natural que priorizar o futebol quando aparece verba, seja lá onde for.

Qual novidade?

Alguém em sã consciência imagina o futebol com salários atrasados e o vôlei em dia?

Não.

O Flamengo não precisava dessa parceria. É grande o suficiente e estava no caminho certo priorizando as categorias de base e investindo aos poucos no adulto. Iria crescer naturalmente sem a necessidade de se meter com parceiros.

Mas aí, achou que estava ganhando na loteria.

Só que Landim acordou.

A primeira crise chega em boa hora e sugere que a parceria, diferente do que os envolvidos afirmaram na apresentação, fria e sem emoção, dure menos do que se esperava.

Algumas pessoas criam a própria tempestade e ainda ficam bravas quando chove.

 

 

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