O que era, o que é, e o que será da CBV.

O que era, o que é, e o que será da CBV.

Bruno Voloch

09 Janeiro 2018 | 10h24

A famigerada Copa Brasil vem aí. Um torneio com a cara da atual CBV, Confederação Brasileira de Vôlei. Competição sem atrativo algum, nada rentável e que sequer consegue despertar o interesse da televisão.

Pior. Os jogadores se desgastam desnecessariamente com deslocamentos, risco de lesão e não chegam literalmente a lugar nenhum porque a Copa Brasil não dá direito a nada. Incha o calendário apenas.

Difícil aceitar. Difícil acreditar.

Exemplo e referência para o mundo na última década, a CBV, Confederação Brasileira de Vôlei, perde crédito, moral e respeito diante dos últimos acontecimentos.

Despenca literalmente nos números.

O blog apurou que a gestão anterior deixou mais de R$ 40 milhões em caixa em 2013 e R$ 350 milhões em contratos assinados até 2017.

Não existia nenhuma dívida com fornecedores, atletas e funcionários. O BRASIL, na ocasião, liderava o ranking mundial quase em todas categorias. Títulos para dar e vender. Na quadra e na praia.

A explicação para a pior crise na história da entidade é simples e passa fundamentalmente pela matemática.

A folha salarial chegou a ser quase 4 vezes maior se comparada aos áureos tempos. De R$ 6,5 milhões passou para R$ 23 milhões. E muita gente ganhando salários astronômicos.

Paulo Márcio, diretor-geral na gestão anterior, tinha o maior salário e recebia cerca de R$ 25 mil por mês, ou seja, menos da metade do que foi pago para o CEO da CBV, Ricardo Trade, demitido por Neuri Barbieri, vice-presidente e o que hoje ganha o CEO, Radamés Latarri.

O vôlei de praia foi deixado de lado e o orçamento reduzido drasticamente. Ainda assim, graças ao talento dos atletas, sobrevive. O Circuito Brasileiro ficou esvaziado e desprestigiado.

Prestígio que a CBV perdeu também com os jogadores das seleções masculina e feminina que ainda não viram a cor do dinheiro relativo aos torneios de 2017.

A insatisfação dos clubes e seus respectivos representantes cresce a cada Superliga e o movimento para a formação de uma Liga Independente nos moldes da NBB ganha força.

2018 mal começou e a crise chegou a arbitragem como foi amplamente divulgada pelo blog. Os árbitros exigem aumento e participação na cota de patrocínio da SKY. Sobrou para Carlão, que presidia a COBRAV, e se demitiu diante dos fatos.

Uma intensa briga política se arrasta pelos corredores da entidade. Jogo de poder, intriga e vaidade que só prejudica a imagem do esporte e daqueles que (ainda) dão o espetáculo.