Rabadzhieva pode voltar à seleção e abre o coração ao falar do Minas: ‘Você atrai o que você é’

Rabadzhieva pode voltar à seleção e abre o coração ao falar do Minas: ‘Você atrai o que você é’

Bruno Voloch

05 de maio de 2020 | 09h53

Dobriana Ivanova Rabadzhieva, a Dob, como foi delicadamente apelidada, conquistou o Minas.

Foi uma paixão avassaladora. Na curta passagem pelo BRASIL, a búlgara ganhou o coração das companheiras, comissão técnica e principalmente da torcida. Admiração, respeito e carinho correspondidos.

O blog conversou com Dobriana.

Nessa conversa, a jogadora explica porque aceitou o convite do Minas, da imediata identificação com o projeto e diz se pretende um dia voltar ao clube.

Dobriana elogia a China, fala pela primeira vez dos graves motivos que fizeram se afastar da seleção da Bulgária e do possível retorno após as mudanças na Federação.

Vida pessoal? Também.

Por que você aceitou a proposta do Minas?

Antes de chegar no Minas eu já sabia quais eram os objetivos. Joguei contra elas no mundial de clubes e vi a qualidade e o alto nível do time. Aceitei imediatamente a oferta porque um dos meus sonhos estava perto de se realizar e eu teria grandes chances de ganhar a Superliga. Eu só queria vir e ajudar o time no que elas precisassem para que a gente pudesse alcançar os objetivos do clube e meus sonhos. Foi fácil minha adaptação porque todas as garotas me ajudaram. Eu só poderia aprender e melhorar com elas. Agradeço a oportunidade.

Como explicar essa enorme identificação com o clube e a torcida?

Honestamente eu não sei. Fui só a Dobriana. Acredito em um ditado que diz: ‘você atrai o que você é’. Penso que minhas companheiras, os fãs e o Minas são iguais a mim. Gosto de sorrir, de brincar, curtir dentro e fora da quadra e, claro, o mais importante sempre era ganhar os jogos.

Qual foi o segredo desse ambiente tão positivo que vocês construíram? Já teve isso antes?

Eu também tive muitas conquistas, lembranças e bons momentos nos demais times em que passei. Nesse curto período que defendi o Minas foi diferente. Normalmente leva tempo para me adaptar ao sistema, mas desde o primeiro treino me senti como se estivesse aqui desde o início da temporada. E será sempre com certeza um dos meus lugares favoritos e com gente favorita. Eu amo todos eles.

A Dobriana volta ao Minas?

Olha, adoraria responder isso, mas agora nesta situação eu só quero que todos fiquem bem e saudáveis. Eu só penso e aproveito o tempo presente que tenho agora. A vida é muito louca e eu quero viver o momento. Não sei o que será o amanhã. Você me faça essa pergunta novamente depois que o mundo voltar ao normal.

E como foram os anos na China?

Surpreendentemente para muitas pessoas, eu digo que amo a China. Já são duas temporadas e gostei muito. Eu conheci uma nova cultura e na verdade adorei. As pessoas são muito atenciosas e simpáticas. Jogar lá é muito interessante e o campeonato competitivo, então para mim a China sempre será uma opção para o meu futuro.

Você ainda não definiu seu futuro? O Minas faz parte?

Eu adoraria voltar porque o Minas virou um lugar muito especial para mim. Deixei amigos e ótimas recordações. Como eu disse antes, saúde primeiramente e depois quando essa situação terrível acabar eu posso começar a fazer planos.

Qual foi a sensação de jogar, mesmo pouco tempo, no BRASIL?

O BRASIL é a pátria do vôlei para mim. Eu me apaixonei e queria experimentar essa sensação. Não tenho que mencionar todos os títulos que o BRASIL conquistou. Adoro competir e o BRASIL é o melhor lugar para isso. O mais incrível é a torcida porque nunca vi tanta paixão.

Saudades?

Sim. Sinto falta do meu tempo com a equipe, sinto falta de jogar na frente dos fãs, sinto falta de brigadeiro, pão de queijo e da minha dança de funk. Eu gostaria de poder ficar mais tempo, tinha planos depois da temporada para ficar e explorar mais o Brasil mas infelizmente o coronavírus mudou tudo.

E por que a Dobriana não joga mais pela seleção? O que aconteceu?

Há 2 anos eu tive uma situação desagradável com a nossa Federação. Eles disseram que eu estava simulando lesões. Tive problemas com as minhas lesões na época. Eles fizeram ressonância e depois esconderam o resultado. Eu tive uma inflamação séria e eles queriam que eu jogasse. Claro que não conseguiria me apresentar 100%. Isso aconteceu depois da longa temporada na Turquia e aí decidi que depois de todos esses anos jogando pela seleção talvez fosse hora de sair pois não conseguimos encontrar solução para o meu problema e queria continuar jogando vôlei. Eu não podia correr riscos. Mas hoje a situação é outra. A Federação tem novo presidente e meu problema foi com a gestão anterior.

Então você poderia novamente defender a seleção?

Vamos ver no futuro. É uma honra poder defender meu país. Ano que vem vamos analisar.

Pode falar da sua vida pessoal? Filhos? Casamento?

Claro que quero, mas quando chegar a hora certa. Eu não sei sobre casamento porque eu sinto que um aliança não é tão importante. Eu espero encontrar o homem correto e ter uma família saudável e bonita.

Você pretende jogar até quando?

Eu nunca estive pensando nisso. Eu só quero jogar até que quando meu corpo permitir e eu tiver a mesma paixão.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: