Renan não fala em fim do ciclo na seleção, divide os méritos em Taubaté, elogia Rapha e lamenta crise na Superliga

Renan não fala em fim do ciclo na seleção, divide os méritos em Taubaté, elogia Rapha e lamenta crise na Superliga

Bruno Voloch

02 de dezembro de 2019 | 19h29

Renan Dal Zotto venceu a desconfiança.

Dá para dizer que o técnico vive seu ápice na profissão. A conquista da Superliga dirigindo Taubaté e os recentes resultados no comando da seleção brasileira serviram como afirmação.

Nesse papo com o blog, Renan evitou falar do futuro na seleção. Não disse se continua após a Olimpíada, apenas que está focado nos jogos olímpicos de 2020.

O treinador comenta a transformação que passou Taubaté desde sua chegada, valoriza os jogadores, elogia o capitão Rapha, comenta a recuperação de Lucarelli e Lucão e não entra em polêmica com o antecessor Daniel Castellani.

Por fim, Renan, que foi gestor em Florianópolis, lamentou a crise que o vôlei brasileiro atravessa. O técnico reconhece que falta segurança aos jogadores com a inadimplência registrada em vários clubes, mas que ainda assim tiveram o aval da CBV, Confederação Brasileira de Vôlei e jogam a Superliga.

Você em breve completará 1 ano de Taubaté. O que mudou desde a sua chegada?

O que mudou não saberia dizer porque não estava acompanhando o dia a dia do trabalho do Daniel, a quem tenho profundo respeito. Assim que chegamos, procuramos definir rapidamente um padrão de jogo que fosse compatível com os atletas que tínhamos à disposição e, claro, muito treinamento.

Taubaté estava em crise, desacreditado e sem muitas perspectivas. Qual sua participação nessa mudança ?

Neste caso, o mérito foi todo dos atletas que acreditaram em uma proposta de trabalho e em nosso plano de ação. Caso contrário, nada seria possível.

Você no íntimo esperava alcançar êxito tão cedo?

Ficamos muito felizes com o rápido retorno técnico da equipe, porém sabemos que a realidade não é essa. A Superliga é extremamente competitiva e duríssima de se vencer.

Como foi conciliar nessa primeira temporada clube e seleção?

Depois do convite feito pelo Ricardo Navajas e de várias reuniões com o Júnior, Prefeito de Taubaté, resolvi aceitar esse desafio. Primeiro por se tratar de um excelente projeto e segundo para estar cada vez mais próximo do dia a dia dos atletas nesse período que antecede os Jogos Olímpicos.

Por que Rapha se transformou desde sua chegada ao clube, tornou-se referência e parece que está no ápice da forma?

Quando chegamos a Taubaté, nosso acordo foi: não queremos (CT) saber de nada do passado e vamos somente olhar para frente. Não tínhamos tempo a perder. Quanto ao Rapha, ele sempre foi um excelente atleta, gosta muito de treinar e estar em quadra, tem muita liderança na equipe e, claro, um reconhecimento internacional incrível. É um cara muito dedicado.

Você também recuperou outros jogadores como Lucao e Lucarelli. É apenas coincidência?

Quanto ao Lucão e Lucarelli, ambos dispensam comentários. São dois grandes vencedores que já conheciam meu sistema de treinamento na seleção, damos muito foco a parte física, a técnica individual e sempre muita intensidade nos trabalhos coletivos. Vale ressaltar que eles também foram fundamentais na conquista da Superliga.

Como gestor que foi, de que maneira enxerga essa eterna crise que assola alguns clubes do Brasil e que deixam vários jogadores sem salários?

Claro que não é uma situação simples de se resolver. A gente lamenta profundamente a situação que alguns clubes estão passando e consequentemente os atletas. Tive por muito tempo na gestão de clubes e sei quanto é difícil manter em pé um projeto. Mas, de qualquer forma, independentemente do tamanho do projeto, precisamos sempre encontrar uma forma de dar mais segurança aos atletas.

Seu contrato na seleção termina depois da Olimpíada. É sua prioridade renovar ou seu ciclo se encerra?

Por enquanto o foco tá nos Jogos Olímpicos. Nosso pensamento, meu e da comissão técnica, está apenas voltado para isso. Claro, temos uma Liga das Nações antes e o objetivo da seleção brasileira é estar sempre na disputa por títulos, mas a Olimpíada é o campeonato de maior importância de todo um ciclo e o nosso foco está voltado para isso.

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