‘São nos piores momentos que separamos as grandes das medianas’, diz Ana Cristina, levantadora do São Caetano

‘São nos piores momentos que separamos as grandes das medianas’, diz Ana Cristina, levantadora do São Caetano

Bruno Voloch

10 de fevereiro de 2020 | 08h42

Ela não para.

E não para de se emocionar também.

Aos 37 anos, a levantadora Ana Cristina, líder e capitã do time de São Caetano, protagonizou uma das imagens mais bonitas da última rodada. A jogadora não resistiu e chorou em quadra assim que terminou o jogo contra o Flamengo.

A vitória por 3 sets a 2 foi a primeiro da equipe na competição e não tirou o São Caetano da última colocação.

Ana Cristina e o clube possuem uma forte ligação. É a terceira vez que ela veste a camisa do tradicional time do ABC paulista e foi contratada com a dura missão de comandar um grupo jovem e inexperiente.

A levantadora conversou com o blog. Ana sabe que a situação na tabela é complicada e não desiste. Acha que o resultado servirá de motivação para o restante da temporada.

Sobre o futuro, a jogadora afirma que se sente bem fisicamente, está inteira e não pensa em parar de jogar. ‘Enquanto o corpinho aguenta, a cabeça funciona’, diz ela.

Qual foi a sensação depois de 16 rodadas sair do zero e conseguir vencer na Superliga?

Uma mistura de sentimentos e felicidade pela primeira vitória. Somos um time jovem, inexperiente, mas que batalha muito todos os dias. Gratidão a todos os envolvidos, familiares, amigos e torcedores que nunca desistiram da gente, nos incentivando e dando aquela energizada e ânimo para continuar.

Como acreditar que esse time ainda consiga se livrar do rebaixamento se o regulamento for mesmo cumprido?

Temos que acreditar porque o trabalho está sendo feito todos os dias. O time tem talento e tudo pode acontecer nessa Superliga, já vimos vários resultados inesperados nessa temporada, então é acreditar e não desistir nunca.

Você é uma levantadora vencedora e acostumada a disputar títulos por onde passou. E agora do lado de lá?

Faz parte também do meu aprendizado e crescimento, é bem mais fácil quando está tudo ótimo e dando certo. O meu papel nesse time é ajudar essas jovens, mostrar que nem sempre tudo é fácil, mas que é com as dificuldades que se aprende e cresce, e que são nos piores momentos que separamos as grandes das medianas.

Por que você se emocionou tanto depois da vitória contra o Flamengo?

Porque foi nossa primeira vitória nesse campeonato tão importante. E isso nos motiva a buscar a próxima. Merecíamos ganhar pelo que estamos jogando e, por isso, meu choro.

E o futuro? Você está bem fisicamente. Até quando pretende jogar?

Bom, eu amo vôlei, quero muito continuar jogando, não tenho nenhum problema físico que me impossibilite de treinar ou jogar, mas tem que ter um planejamento diferenciado, administrando treinamento, recuperação e jogos… Então, enquanto o corpinho aguenta, a cabeça funciona.

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