Seleção, Osasco e Bernardinho na visão da ‘nova Ivna’, sem mágoas e de malas prontas para a Rússia

Seleção, Osasco e Bernardinho na visão da ‘nova Ivna’, sem mágoas e de malas prontas para a Rússia

Bruno Voloch

04 de agosto de 2020 | 09h20

Atendendo pedidos dos leitores e seguidores, o blog fez uma live com Ivna, de malas prontas para a Rússia, conforme antecipamos semana passada.

Papo leve, quase duas horas de conversa com público educado e participativo. Ivna, gostou, se divertiu e visivelmente amadurecida, parece outra jogadora.

Revelou que não tem mágoas de Osasco, disse que pretende um dia trabalhar com Bernardinho, defende que poderia ter tido mais oportunidades na seleção, elogia a temporada na França, que o Sesi de 2013/14 foi o time inesquecível da carreira e falou da expectativa de jogar na Rússia.

Por que você decidiu jogar na Rússia?

‘Eu recebi algumas propostas do BRASIL, mas fui muito feliz na minha passagem pela França há alguns anos. A Rússia tem um vôlei de primeiro mundo, país diferenciado e vejo com uma possibilidade de crescimento e ganhar mercado na Europa. Estou muito feliz pelo reconhecimento que tive’.

E a questão da adaptação?

‘É completamente diferente do Japão que usa bolas rápidas e por isso demorei para me adaptar. Na Rússia não será assim. Estilo é mais parecido com o que estou acostumada’.

Quais propostas que você recebeu do BRASIL?

Posso dizer que Bauru. Aliás, quase fim na temporada passada para os playoffs, mas meu time no Japão não abriu mão e cumpri meu contrato até o fim. Estava inscrita e apalavrada. É um namoro antigo. Quase toda temporada a gente conversa, mas ainda não deu certo. Quem sabe um dia. Fico contente pela lembrança’.

Por que parece cada vez mais distante do país?

‘Não é isso. Precisamos ter segurança e aproveitar as oportunidades que surgem. A valorização do Euro conta muito, isso sem contar a instabilidade da nossa moeda e o entra e sai de times na Superliga’.

Pretende voltar? Algum desejo ainda para realizar?

‘Sim. Quero um dia ser treinada pelo Bernardinho (hoje no Flamengo)’.

O que pode dizer das suas passagens por Osasco? Mágoa? Ressentimento?

‘Jamais. Tenho um carinho enorme por todos, afinal foram 4 vezes. Não é pouca coisa. Considero a torcida de Osasco a mais fanática e impressionante de todas. Sem igual. Penso que tudo na vida serve de aprendizado e só tenho boas recordações dos momentos que passei no Liberatti. Sem mágoa. Fiz e dei sempre meu melhor. A questão de ter jogado mais ou menos não posso responder’.

Qual momento mais marcante no BRASIL?

‘No Sesi, temporada 2013/14. Poucos acreditavam na gente, mas crescemos, evoluímos juntas e ganhamos o Sul-Americano. Jogamos o mundial que foi inesquecível e paramos no Dinamo Kazan da Gamova e da Larson, um timaço na época’.

Seleção? Pode falar? A Ivna merecia sorte melhor?

‘Olha, talvez não tenham tido paciência comigo. Acho que sim. Sempre treinei muito, me empenhei, mas tive realmente poucas oportunidades, você sabe disso’.

E como vê hoje a base da seleção?

‘Não vejo bem. São meninas, nem todas, que perderam a ambição. Não entendo. Quando era juvenil dava tudo para treinar com o time adulto. Sentava na arquibancada e ficava observando tudo atentamente querendo aprender. Hoje essa geração não pensa assim’.

E as sucessivas crises financeiras e calotes dos clubes na Superliga?

‘Nossa, eu tenho acompanhado. É lamentável. Gestão não é para qualquer um. É preciso saber administrar e fundamentalmente responsabilidade. Se não existe planejamento, não pode dar certo’.

Pela movimentação de mercado, quais seriam os favoritos na Superliga?

‘Acredito no Minas, Praia, Bauru e Flamengo’.

 

 

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