Serginho desmente saída do Cruzeiro e devolve pergunta: Qual é o perfil para jogar na seleção?

Serginho desmente saída do Cruzeiro e devolve pergunta: Qual é o perfil para jogar na seleção?

Bruno Voloch

05 Março 2018 | 09h58

Difícil, muito difícil encontrar no vôlei brasileiro alguém que tenha mais títulos que Serginho, líbero do Cruzeiro. Na posição pelo menos ele é imbatível nos números.

A concorrência com o xará, hoje no Corinthians, e reconhecidamente o melhor líbero do mundo enquanto jogou pela seleção brasileira, inviabilizou diretamente sua convocação.

Mas não foi apenas isso.

Serginho, líbero do Cruzeiro, completa 40 anos em 2018, e estranhamente quase não teve uma oportunidade de vestir a camisa do BRASIL quando Bernardinho era treinador. A única foi em 2001 na Copa dos Campeões. Depois, nunca mais.

Política? Personalidade?

Talvez.

Direito do ex-técnico, com certeza.

Quando o xará paulista não poderia atender o pedido, a opção jamais era Serginho, do Cruzeiro. Fato é que nada mudou. Inclusive com a chegada de Renan.

Serginho porém se acostumou em ser ‘carta fora do baralho’ e respondeu no dia a dia trabalhando e conquistado todos os títulos possíveis e imaginários com a camisa do Cruzeiro. O trigésimo veio no sábado passado com o quinto sul-americano.

Desconfiado, ele evita falar sobre seleção. Dá para sentir a mágoa. Serginho não cria expectivas e apenas se concentra em fazer o melhor com a camisa do Cruzeiro.

Nesse papo com o blog, o líbero desmentiu os boatos sobre sua possível saída, falou da eminente perda de Leal, da sede de títulos do clube e das finais da Superliga.

O que existe de concreto sobre sua saída do Cruzeiro?

Não existe nada. Fui pego de surpresa pelo comentário. Recebi inúmeras perguntas e pedidos dos torcedores para ficar como se realmente fosse verdade. Perguntei ao Marcelo Mendez a respeito e o mesmo alegou que é mentira. Tenho identificação com o time e nunca cogitei sair. O meu empresário já estava conversando sobre a renovação e desejo permanecer.

Por que com tantos títulos no currículo você nunca teve uma oportunidade para jogar na seleção brasileira?

Devolvo a pergunta, por que com tantos títulos no currículo eu nunca tive uma oportunidade na seleção?

Seu perfil não agradava o ex-treinador?

Qual é o perfil para fazer da parte da seleção nacional? Na minha opinião os números falam por mim. Por outro lado, cada um tem uma filosofia de trabalho e livre arbítrio para convocar quem quiser.

E com Renan, você espera ter uma chance? Afinal, idade não é justificativa.

Estou pronto. O Renan disse ano passado que idade não era justificativa para não convocação, entretanto nada mudou. Havia sido campeão de tudo na temporada e continuei fora, não entendo o critério.

Você é um jogador que tem muita personalidade, isso incomoda?

É importante ter personalidade, tenho opinião própria. Erro e acerto como qualquer ser humano mas não deixo de me posicionar, sou autêntico. Comentei algumas vezes que o assunto seleção não faz parte da minha vida por estar a tantos anos conquistando títulos coletivos e individuais e não ser reconhecido para uma convocação. Sigo com ambição para evoluir dando sequência ao meu trabalho que sempre foi reconhecido pelo Sada/Cruzeiro.

Você faz parte de toda história de conquistas do Cruzeiro. Por que tamanha supremacia?

Não nos acomodamos, odiamos perder, temos grandes profissionais na comissão técnica, uma das melhores estruturas do mundo e o sangue no olho no DNA. Quem chega percebe rápido a sede de títulos do time e se encaixa ao perfil.

Como você vê essa possibilidade real da saída do Leal pro exterior?

Natural pelo nível do atleta, campeoníssimo com o Cruzeiro tem seu trabalho reconhecido mundialmente e desperta o interesse de grandes equipes.

Como vê de longe a presença da Tiffany na Superliga Feminina?

Percebo que a força física destoa das demais e uma vez que ela está amparada por regras e leis da modalidade não tem o que comentar a respeito.

Você acha que a hegemonia do Cruzeiro está ameaçada com tamanho equilíbrio dessa Superliga?

Nunca foi fácil, sempre enfrentamos grandes equipes e o sentimento de respeito nos deixa alerta. Sentir seguro a ponto de achar que temos certeza do sucesso nos deixaria imobilizados. A única certeza que tenho é que não somos imbatíveis e que ao longo desses 8 anos lutamos muito por cada conquista.